Uma conversa com um amigo chamou a minha atenção para um fato curiosoessa semana. Ele, dono de um restaurante de um porte relevante, me relatava que a vida não estava fácil no que diz respeito à gestão dos seus funcionários. Já não bastasse a dificuldade de se encontrar funcionários, faltas, atestados e trabalho malfeito, seu principal líder, seu gerente que está com ele há mais de dez anos, também adoecera e estava afastado do trabalho, o que o obrigou a voltar para a linha de frente da casa.
Perguntei a ele o que esse gerente fazia na casa, uma vez que sua falta estava causando tanto transtorno. Era mais fácil ter perguntado o que ele não fazia. O relato do meu amigo passava por atendimento ao cliente, fechamento de caixa, limpeza, e às vezes até um toque ou outro na cozinha. Perguntado por que ele fazia tanta coisa, a resposta foi algo parecido com “ele é a única pessoa em quem posso confiar plenamente”.
Acho interessante esse movimento, no qual o funcionário mais eficiente se torna o mais confiável, e assim começa a ser o que mais recebe atribuições. O dono do negócio, vendo nesse funcionário um confiável ponto de apoio, começa a passar a ele todas as tarefas as quais tem receio de passar a outros funcionários, com medo de que não executem a tarefa ou que não fique feito do jeito que gostaria. Dessa forma, o mais eficiente acaba sendo punido por sua eficiência, enquanto o ineficiente fica de lado, não sendo atribuídas a ele tarefas que se acumulam nos mais produtivos. Logo esse funcionário eficiente se torna uma máquina de trabalho, disposto a resolver qualquer problema e assumir qualquer tarefa, o que num curto, médio ou longo prazo cobra o seu preço.
Em algum momento esse funcionário começa a dar os primeiros sinais de adoecimento: tarefas que ele executava com alguma facilidade passam a atrasar ou perder qualidade, começam os esquecimentos, queixas de sobrecarga até o momento em que ele não aguenta mais o tranco. Ele, que segurava a barra de todo mundo, precisa se afastar e é o dono que precisará assumir suas atribuições. Ao invés de investir tempo para desenvolver a liderança do melhor funcionário, fazendo com que ele apoie seus colegas a crescerem, o dono passará a executar o seu trabalho, deixando suas atribuições de lado, achatando a pirâmide da hierarquia organizacional e colocando as estratégias de lado para focar na operação.
Invista tempo e dinheiro nele para transformá-lo em um líder, que ajuda seus pares a se desenvolverem e a serem produtivos como eleÉ importante que haja o entendimento de que, se um funcionário não está exercendo suas funções da forma correta, é fundamental investir tempo em qualificá-lo. Possuir uma equipe com competências homogêneas, nas quais as tarefas possam ser distribuídas de forma que não haja sobrecarga, é fundamental para que o melhor funcionário não fique sobrecarregado e num curto prazo perca sua eficiência e adoeça, deixando de lado suas tarefas e também as dos colegas que ele vinha carregando.
Portanto, caro empresário, não puna o seu melhor funcionário com mais tarefas. Estimule-o a trabalhar a qualificação de seus colegas. Invista tempo e dinheiro nele para transformá-lo em um líder, que ajuda seus pares a se desenvolverem e a serem produtivos como ele. Dessa forma, o trabalho é bem distribuído, a eficiência cresce e a saúde é mantida.
Este texto tem caráter opinativo. As ideias e conceitos expressos no artigo são de inteira responsabilidade do autor.
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