Fora do lar, dentro do negócio
Última edição

O futuro do seu negócio não pode estar em uma casa de apostas

Tempo de leitura 5

Paulo Jelihovschi
Paulo Jelihovschi

Líder de Gente e Jornadas na Abrasel

1 hora, 53 minutos atrás

Recentemente fui convidado a contribuir em um matéria da B&R sobre o impacto das bets no cotidiano dos negócios do setor. Particularmente, tinha dimensão que o problema era sério, mas ele é muito maior do que eu imaginava. Segundo a reportagem, 87% dos empresários do setor identificaram colaboradores com hábito de apostar, e 63% já perceberam efeitos diretos desse comportamento no dia a dia das equipes. 75% notaram aumento das dívidas dos funcionários, e 58% chegaram a flagrar apostas sendo feitas durante o próprio expediente. 

Para quem acompanha essa realidade de perto, é claro como o processo funciona: o canhão de marketing te faz realizar uma primeira aposta em alguma dessas bets, se você perde ou ganha há algum tipo de benefício para uma nova aposta, e quando você menos percebe já está numa espiral de perdas que não estavam previstas, e você tenta compensar essa perda com apostas mais altas. Esse circuito ativa o vício de diversas formas e leva pessoas à ruína financeira e mental. É o ciclo clássico da ludopatia. 

Por lógico, pessoas acometidas por essa doença terão enorme dificuldade de produzir tanto no trabalho quanto em suas questões particulares e, pior ainda, poderão desenvolver comportamentos indesejados para compensar as perdas financeiras, como o roubo, ou sociais, como o isolamento ou depressão. E nesse contexto todo, há um negócio e um empresário que terá que lidar com as consequências desse mal entre seus funcionários. 

O mais triste nessa história para mim é o exercício de pensar no que pode ser feito para mitigar essa situação e não achar respostas. O vício em apostas é um problema de cunho social, que deveria envolver importantes políticas públicas na área da saúde. Até as respostas dadas pelo meu amigo GPT me parecem muito pobres no que diz respeito ao combate a esse mal no ambiente de trabalhoDito isso, volto à questão básica para o combate de todo tipo de problema: a conscientização e o suporte social. 

É muito importante que o empresário esteja atento a qualquer problema desse tipo entre seus funcionários. Pequenos sinais podem dizer muito. Comportamentos sociais e queda de produtividade podem dizer muito. Nesses casos, chamar o funcionário para uma conversa pode ser o primeiro passo para uma mudança de realidade. Atividades preventivas, que mostram as consequências do problema antes que ele ocorra, também pode ajudar. Uma palestra, conversa, ou simples cartaz no local de descanso, pode desencadear uma reflexão que ajude a pessoa que está pensando em jogar. 

Uma vez identificado o problema, o suporte social se torna fundamental. Ter pessoas por perto dispostas a ajudar da forma que for necessário torna a cura do problema muito mais fácil. Dividir o peso do problema facilita. 

Por fim, meu amigo empresário, saiba que lidar com problemas os quais você não criou e nem tem controle faz parte do jogo. E por falar em jogo, é melhor trabalhar para prevenir que seus funcionários fiquem longe dele do que ter que lidar com as consequências dos atos daqueles que se envolveram como não deveriam. No final, a banca sempre ganha. 

Este texto tem caráter opinativo. As ideias e conceitos expressos no artigo são de inteira responsabilidade do autor. 

Paulo Jelihovschi
Paulo Jelihovschi

Líder de Gente e Jornadas na Abrasel

tags

Relacionados