O óleo de cozinha é muito utilizado em bares e restaurantes, principalmente em frituras, refogados e grelhados. Quando chega ao fim da vida útil, o descarte do chamado OGR (óleo e gordura residual) se torna um problema para estabelecimentos que ainda não sabem como destinar corretamente. Se jogado no lixo comum, vira risco sanitário, se despejado no ralo, entope canos e contamina a água.
Segundo a dados da União Europeia, um litro de óleo pode contaminar até um milhão de litros de água. Porém, estes resíduos podem ser vendidos para empresas que fazem o reuso do material e funcionam como uma renda extra para o estabelecimento.
Empresas especializadas em coleta de OGR retiram o óleo acumulado diretamente nos restaurantes, em troca de um pagamento por litro recolhido. Esse material segue para a cadeia de economia circular, sendo transformado em sabão, detergente e outros insumos industriais.
Para o setor de alimentação fora do lar, que lida diariamente com grandes volumes de fritura, a prática já é realidade entre empreendedores mais atentos, ainda que longe de ser universal. "O óleo usado não é lixo, é recurso. Quando descartado corretamente, pode ser reaproveitado para produção de biodiesel e outros insumos, evitando a contaminação e poluição da água", afirma Luiza Campos, líder de ASG da Abrasel.
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Descartar ou vender o óleo de cozinha
O processo para a venda do óleo usado não é burocrático e não exige grandes adaptações na operação. “O processo é simples de incorporar à rotina e não exigiu mudanças significativas”, afirma Sonia Cabral, gerente administrativa do restaurante Divina Gula, em Maceió. Ela explica que a empresa RCW Papa Óleo recolhe os resíduos quinzenalmente e o pagamento é feito na hora.
Já Felipe Camelo Barros, proprietário da rede Don Pastello, diz ter tido dificuldade para encontrar empresas de recolhimento, mas que hoje o processo é muito prático. “A empresa já deixa os próprios tonéis com a gente e recolhem semanalmente”, completa.
O retorno financeiro, embora não seja o motor principal da decisão, pode fazer diferença. Empresas especializadas na reutilização do óleo, pagam cerca de R$ 2,20 por litro. Os entrevistados contam que vendem cerca de 150 a 200 litros por mês, chegando aos R$ 400,00.
A garantia de que o óleo vá para o local correto é o maior ganho que se tem.Vanderlei TurattiPara Vanderlei Turatti, diretor presidente do Grupo Hibiscus, em Alagoas, há mais de 25 anos no setor, a prática é tão natural que chega a surpreendê-lo o fato de ainda existir quem não a adote: "É tão fácil e simples e ainda dá um retorno financeiro. Eu não acredito que existem empresas que não façam isso, nem pela consciência ambiental”.
Aspectos socioambientais
Para os empreendedores que já incorporaram a prática à rotina, a resposta passa, sobretudo, pela falta de informação. Os três entrevistados disseram que falta de consciência social e ambiental pode ser um motivo para que outros empresários ainda não tenham adotado a prática. E afirmaram também que a divulgação de casos de sucesso e do impacto social da reutilização do óleo, podem ajudar a conscientizar a população no geral.
Além das questões ambientais, quando bem direcionado, o óleo usado tem o poder de transformar comunidades inteiras. É o que mostra o Projeto Óleo Solidário, iniciativa desenvolvida em parceria com o Sebrae no núcleo Abrasel Jardim Vitória, em Cuiabá: mais de 500 litros de óleo arrecadados de bares e restaurantes da região foram reaproveitados para gerar renda e alegria. Com os recursos obtidos, o projeto tornou o Natal de dezenas de crianças da comunidade possível.
O impacto do descarte correto vai além do meio ambiente, vira receita extra e ajuda quem precisa. Um resíduo que custaria caro para o planeta pode, com logística simples e parceiros certos, gerar renda para o estabelecimento, proteger a rede de esgoto e financiar ações sociais em comunidade.

