Que o cafezinho logo pela manhã é um dos principais hábitos dos brasileiros, a maioria já sabe, mas como o consumidor está passando a apreciar a bebida, seja dentro ou fora de casa, é o que a chamada “quarta onda do café” tenta mostrar. Mais do que hábito, a onda de consumo agora prioriza qualidade, tecnologia, rastreabilidade e novas formas de experimentação.
Cunhado pela escritora e empresária Trish Rothgeb em seu artigo “Third Wave Coffee” de 2002, as ondas do café resumem a maneira como o consumidor mundial se relaciona com a bebida, os hábitos de consumo e a evolução do setor cafeeiro. Para Rothgeb, o mercado de café evoluiu da massa e praticidade (1ª onda), passou pela experiência das cafeterias e do espresso (2ª onda), até chegar ao foco na origem e nos grãos especiais (3ª onda).
Mas para especialistas do setor como André Henning, cofundador da Go Coffee, a quarta onda já é uma realidade e demonstra como experiência, tecnologia e qualidade são prioridade. “O brasileiro continua apreciando o cafezinho tradicional, mas também passou a explorar cafés especiais, novos métodos de preparo e experiências mais personalizadas. Isso mostra o amadurecimento do consumidor e a diversidade que o mercado oferece atualmente”, completa Henning.
O que vem mudando no mercado de cafés e cafeterias?
Nessa nova “onda do café”, a bebida vem sendo apreciada para além de um costume e se apega a tudo que engloba o ato de tomá-la. Em pesquisa recente da Abic, a "Evolução dos Hábitos e Preferências dos Consumidores de Café no Brasil”, 63% dos entrevistados disseram apreciar uma xícara para melhorar o humor e a disposição, e 42% o fazem pelo ritual, prazer e bem-estar.
No país, a média de consumo por pessoa é de 6,02 quilos de café ao ano, sendo o Brasil o maior consumidor dos cafés nacionais, ainda de acordo com dados da Abic. Esse cenário convida negócios de alimentação como cafeterias a entenderem melhor o papel do café na vida dos clientes e como demais mais marcas do segmento também enxergam os novos rumos do consumo de café.
Quanto maior o acesso à informação sobre qualidade, origem e formas de preparo, mais o consumidor participa desse movimento de valorização do café brasileiroAndré Henning
Em entrevista a Exame, Mariane Wiederkehr, presidente da Starbucks Brasil, comenta sobre a expansão da rede de cafeterias com mais 35 lojas até o final de 2026 fora do eixo RJ-SP, como também novidades no cardápio para atender diversos perfis de consumidores, que inclui cafés proteicos e ingredientes de múltiplas culturas adicionados na bebida, como o “ube”,um inhame asiático.
O planejamento da marca no Brasil surge do potencial de crescimento da rede em território brasileiro, que segundo Wiederkehr possui apenas 113 lojas, e de dado relevante sobre padrão cafeeiro avaliada pela Starbucks. "Cerca de 50% do café utilizado pela Starbucks no mundo tem origem no Brasil", explica a presidente.
Para demais negócios de alimentação ligados a esse nicho, a sugestão do cofundador da Go Coffee é destacar cada vez mais toda a cadeia produtiva da entrega de um café, que pensa desde os processos sustentáveis envolvidos na moagem até a aplicação de sistemas de automação. Além de pensar nos diferentes perfis de consumo que atuam nessa junção de ondas do café:
- cafés filtrados;
- espresso;
- bebidas geladas;
- cápsulas;
- métodos especiais; e,
- grãos de diversas origens.
Na quarta onda do café, a decisão de compra passou a considerar não apenas preço e conveniência, mas também qualidade, procedência, impacto socioambiental e experiência.

