Confesso aos amigos leitores que não sou o maior entusiasta da chamada “literatura de coach”, acho a linha entre o conhecimento e o charlatanismo tênue demais.
Entretanto, acompanho vários profissionais que não são necessariamente empresários ou homens de negócios, mas que fazem da hospitalidade gastronômica a sua vida. O paulistano Júlio Bernardo, ou JotaBê, é um deles. Entre erros e acertos além de sua carreira, respeito sua autenticidade e sua imensa capacidade de escrita, apesar de não concordar 100% com suas opiniões (não que isso seja preciso, vamos combinar, né).
Pois então. Dias desses Jotabê compartilhou em seu Instagram uma reflexão sobre o que, na opinião dele, seriam as principais tendências para bares e restaurantes. Eu não poderia concordar mais. (Inclusive segue aqui o link para quem quiser conferir o post original)
O meu resumo é: as mudanças de comportamento dos consumidores, o calendário de 2026 (com recorde de feriados, Eleições e Copa do Mundo), e a mão de obra cada vez mais escassa criam um cenário desafiador. Eu explico.
Primeiro, a consolidação das injeções emagrecedoras como hábito de massa, o que reduziu drasticamente o volume calórico ingerido pelo cliente de classe média e alta. Segundo, a consolidação da abstinência alcoólica entre os mais jovens. Para o empresário, isso se traduz em um tíquete-médio sob pressão constante e na necessidade de repensar a rentabilidade por grama.
Operar em 2026 exige inteligência estratégica para enfrentar uma mão de obra escassa e cada vez mais onerosa. Momentos de retração no consumo são, historicamente, os que forçam o setor a abandonar o amadorismo. Este ano será o marco de uma hospitalidade técnica.
Se o cliente come e bebe menos, a execução precisa ser impecável para que o valor percebido compense a queda no volume.Danilo Viegas
A tendência é clara: porções reduzidas com maior valor agregado, mixologia de baixa graduação alcoólica (ou nula) com alta complexidade e um serviço focado obsessivamente na retenção. O objetivo é reconquistar o cliente, oferecendo produtos que justifiquem o deslocamento em um cenário econômico restritivo.
A minha aposta pessoal é na ascensão de operações informais e dinâmicas. O luxo ostensivo perde espaço para a eficiência operacional que permite preços mais competitivos sem sacrificar a margem. Neste contexto, o marketing de influência perde sua relevância histórica. O setor amadureceu e entendeu que o engajamento digital vazio não sustenta o fluxo de caixa. A prioridade agora é a experiência real, livre da mediação constante das telas — o celular no restaurante passa a ser visto como um ruído, não como um aliado (ouvi um amém?).
No encerramento das contas, o que resta é o rigor da gestão e a entrega humana. Que o mercado nos encontre preparados para a sobriedade que o momento exige.
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