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99Food aposta em taxas menores, liberdade logística e mais margens aos restaurantes

De volta ao mercado brasileiro, a 99Food mira no relacionamento com empresários, motociclistas e público para a Corrida do Delivery no Brasil. | Foto: Divulgação 99Food

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Com taxas de 8,9% e foco em liberdade de preço, 99Food aposta em proximidade com parceiros, aprendizado internacional e equilíbrio operacional para destravar o mercado de delivery no país.

José Eduardo Camargo 27/02/2026 | 16:13

No relacionamento de campo, a 99Food opera com equipes de vendas que visitam diariamente estabelecimentos, discutindo métricas de desempenho, ações de campanha e ajustes de operação. 

A empresa enfatiza escuta ativa e adaptação como práticas para incorporar feedback do mercado — por exemplo, a maior aderência ao modelo de taxa em 8,9% entre parceiros que valorizam liberdade de preço e a separação clara entre comissão e logística. Essa proximidade é vista como necessária para consolidar a densidade de restaurantes por cidade e estabilizar o nível de serviço. 

Do ponto de vista de preço e margem, o relatório Locomotiva mostra que 90% dos estabelecimentos consideram que as taxas dos aplicativos pesam nas despesas; 77% dizem precisar cobrar mais no delivery por causa delas. E ainda, 85% dos que cobram mais acreditam já ter perdido vendas devido à diferença de preço. O dado reforça que maior transparência contratual e liberdade de escolha logística são mecanismos para reequilibrar custos e reduzir a necessidade de acréscimo de preços (markup) nos aplicativos. 

A empresa também ressalta aprendizados do ciclo anterior da 99Food no Brasil: concentrar-se apenas em independentes de tíquete baixo não é suficiente para definir proposta de valor; é preciso “gama completa” com independentes e redes, diferentes faixas de preço e cozinhas preparadas para delivery.

O ecossistema robusto melhora tempo de preparo e estabilidade, especialmente quando lojas adotam linhas dedicadas ao canal e práticas de embalagem adequadas. 

No tema regulatório e concorrencial, em meio a um verdadeiro tiroteio entre os aplicativos de delivery (incluindo ações no CADE e justiça comum), a 99Food afirma que opera legalmente, cumpre decisões judiciais e busca competir dentro das regras já existentes, ao mesmo tempo em que questiona práticas que restringem o poder de barganha de restaurantes. O posicionamento público se alinha à estratégia de dar condição de iguais aos parceiros em relação a preço, opções e acesso à demanda.

A pesquisa Locomotiva também captura apetite por alternativas: 91% dos consumidores gostariam de ter mais opções de aplicativos; 97% avaliam positivamente um aplicativo sem taxa para estabelecimentos; e 93% dizem que dariam preferência a essa alternativa. Entre os estabelecimentos, 98% manifestam interesse em usar um aplicativo sem taxa e projetam ganhos de venda, lucratividade e capacidade de reinvestimento no negócio. 

Experiência anterior e aprendizado 

Sobre a primeira experiência da 99Food no Brasil (operou entre 2019 e 2023 no país), a empresa reconhece que o mercado exige proteção do espaço conquistado e atenção aos três elos da cadeia: restaurantes, entregadores e consumidores. Isso trouxe ensinamentos, como a importância de convergir as ações para que a jornada do delivery faça sentido como um todo. 

A 99Food aprendeu com operações em outros países da América Latina, como México e Colômbia, onde lidera ou ocupa posição de destaque no delivery. O desafio atual é comunicar aos parceiros que o modelo é funcional e sustentável, trazendo novos clientes, taxas menores e mais pedidos, com crescimento conjunto dos negócios.

A empresa, além de contar com o know-how internacional da DiDi, tem profundo conhecimento do mercado brasileiro e se diz comprometida em adaptar soluções à cultura local. A expectativa é que o Brasil seja a maior operação da DiDi fora da China, consolidando a visão de super aplicativo e serviços essenciais integrados para milhões de brasileiros. 

Quanto ao preço ideal para destravar frequência, a 99Food mira um tíquete de R$ 30–R$ 40 no longo prazo, patamar que ampliaria a base diária de consumidores atendidos e aproximaria o Brasil de trajetórias observadas em mercados mais densos.

Com preços mais acessíveis e logística eficiente, a frequência mensal pode crescer múltiplas vezes, com cenários de três a seis vezes no horizonte, caso a penetração se aproxime de benchmarks internacionais. Essa ambição convive com um princípio operacional: proteger o ganho diário dos entregadores enquanto reduz o custo por pedido via produtividade, com mais corridas por rota, menos tempo de espera, melhor alocação regional.

“Nosso compromisso é crescer com equilíbrio, apoiando parceiros e promovendo práticas sustentáveis e transparentes no setor", conclui, Simeng Wang.

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