Nesta quarta-feira (11), o chef dinamarquês René Redzepi, anunciou seu afastamento do Noma pelas redes sociais. O restaurante com três estrelas Michelin vem sendo alvo de críticas desde o começo de fevereiro, após ex-funcionário expor casos de abusos físicos, verbais e psicológicos por parte Redzepi. A repercussão piorou após o The New York Times (NYT) publicar uma série de outras 35 denúncias no começo de março.
Todos os casos ocorreram entre 2009 e 2017 e surgem em meio a abertura temporária do Noma, originalmente de Copenhage, em Los Angeles por 16 semanas. Com ingressos vendidos a cerca de US$ 1.500 por pessoa (aproximadamente R$ 7,7 mil), o ponto temporário estava com reservas esgotadas para todos os dias, mas acabou cercado na porta por protestos contra o chef responsável graças a repercussão do caso.
Nas mãos de Redzepi, o Noma ficou conhecido pela influência na alta gastronomia e por ser referência na chamada nova cozinha nórdica, mas sua liderança foi contestada com a chegada da primeira denúncia do seu ex-diretor de fermentação, Jason Ignacio White.
“Noma não é uma história de inovação. É a história de um maníaco que gerou uma cultura de medo, abuso e exploração”, desabafou White no seu perfil @microbes_vibes no Instagram, onde reuniu diversos outros supostos relatos contra o chef.
Os relatos se repetem e mostram um comportamento extremamente abusivo para uma liderança dentro da cozinha e como equipe. Tanto White quanto os demais ex-colaboradores do Noma mostrados pela NYT afirmam terem testemunhado ou passado por humilhações públicas, socos, empurrões, golpes com utensílios de cozinha em um ambiente cercado pelo terror psicológico e ameaças de “manchas” na reputação que partiram totalmente de Redzepi.
Com todas essas exposições, a saída do chef foi confirmada em um post colaborativo com o perfil do restaurante, onde Redzepi reconhece os erros cometidos no passado e espera que uma nova gestão leve o Noma para uma nova fase.
Esse caso reacendeu discussões na comunidade gastronômica sobre a cultura do medo e a rotina historicamente militarizada dentro das cozinhas profissionais: a chamada Brigade de Cuisine. Em publicação recente do chef e consultor Kaka Gomes, mais do que normalização, esse regime “brigadista” na gastronomia está longe de ser sanado através do caso Noma.
“Dentro dessa visão, errar é ser inútil. É normal gritar. É normal humilhar. É teste de resistência. É ‘escola de chefs de verdade.’ A cozinha virou campo de treinamento, e o abuso, um ‘rito de passagem’. - Kaka Gomes.
Até o fechamento dessa nota, o Noma não anunciou quem assumirá o comando do restaurante após a saída de Redzepi.
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