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IA na cozinha: restaurante premiado provoca debate sobre autenticidade

Chef Grant Achatz, do restaurante Next, em Chicago, apresenta menu criado com apoio de inteligência artificial, desafiando os limites da criatividade na alta gastronomia. Foto: divulgação/Beyond the Planet Podcast

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Chef Grant Achatz, do restaurante Next, em Chicago, adota inteligência artificial como ferramenta criativa e provoca debate sobre autenticidade e inovação na alta gastronomia

Danilo Viegas 27/08/2025 | 15:36

A alta gastronomia, tradicionalmente marcada pela reverência à técnica e à autoria, começa a experimentar uma inflexão provocada pela tecnologia. O restaurante Next, em Chicago, comandado pelo chef Grant Achatz, três estrelas Michelin e referência mundial em cozinha conceitual, incorporou assistentes de inteligência artificial ao processo de criação de seu novo menu — e o resultado é um convite à reflexão.

Para utilizar a IA na cozinha, Achatz desenvolveu cinco personagens virtuais com perfis distintos, cada um treinado com repertórios de mestres como Ferran Adrià, Auguste Escoffier e Massimo Bottura.  

Entre eles estão o Chef Pierre, uma francesa clássica, e Maria, uma chef experimental. A proposta não é substituir o humano, mas tensionar seus limites criativos. “Criei esses assistentes justamente para provocar vícios criativos”, afirmou o chef em entrevista ao jornal The New York Times.

“Eles me oferecem ideias que eu jamais teria sozinho. A partir disso, escolho o que faz sentido e construo algo novo. Tudo é gerado pela IA, exceto o ato de cozinhar”, disse.  

O resultado é um menu de nove etapas inteiramente concebido com apoio da IA, mas executado com a técnica e o olhar humano. A inteligência artificial não dita o prato — ela sugere caminhos. O chef, com sua bagagem e sensibilidade, decide o que seguir. É uma colaboração, não uma delegação. 

Foto: divulgação/Beyond the Planet Podcast

Busca pela produtividade ou apenas uma jogada de marketing? 

Esse experimento levanta questões relevantes para bares e restaurantes. Em um mercado cada vez mais pressionado por produtividade, diferenciação e consistência, a IA pode ser vista como uma ferramenta estratégica. Mas até que ponto ela preserva — ou compromete — a autenticidade de uma proposta gastronômica? 

A provocação de Achatz não é apenas estética. Ela toca em dilemas profundos da gestão contemporânea: como escalar criatividade sem perder identidade? Como manter a singularidade de um negócio em um ambiente cada vez mais automatizado? E, sobretudo, como usar a tecnologia para ampliar — e não diluir — o valor da experiência oferecida ao cliente? 

Para empresários que já superaram os desafios iniciais da operação e buscam formas de consolidar sua marca, a iniciativa do Next pode servir como ponto de partida para uma discussão madura sobre inovação. Não se trata de replicar o modelo, mas de entender como a inteligência artificial pode ser integrada de forma crítica e estratégica ao negócio. 

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