A escolha do ponto comercial pode definir o destino de um negócio gastronômico antes mesmo de ele abrir as portas. Por ser uma das decisões mais importantes na hora de começar a empreender no setor de alimentação fora do lar, é necessário fazer uma boa análise.
População da região, fluxo de pessoas, renda, faixa etária, domicílios, empregos, indicadores de consumo do segmento, concorrência nas redondezas e infraestrutura de acesso são os critérios que devem entrar na conta. É o que dizem os especialistas ouvidos pela B&R, que reuniram as principais dicas para quem quer fazer uma boa escolha.
Ponto comercial e o fluxo de pessoas
Gustavo Soares, CEO da Nology, empresa especializada em geomarketing e análise de dados, afirma que “o fluxo é o critério mais sensível. Uma região populosa pode ter pouco movimento no dia a dia e performar muito pior do que outra, menos populosa, mas com alto fluxo de circulação”.
Outro ponto importante a ser avaliado em relação ao fluxo é o estado em que as pessoas que passam pela região se encontram — se estão com pressa, trabalhando, apenas em deslocamento ou se existe uma intenção de consumo —, explica Lyana Bittencourt, CEO do Grupo BITTENCOURT, consultoria de inteligência em redes e negócios.
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Avaliação presencial
Além de pesquisar a região, é indispensável avaliar o local presencialmente. Os dados ajudam ao possibilitar comparações de regiões, fluxo e perfil de consumo, mas no setor da alimentação não explicam tudo. "No food service, o comportamento humano continua sendo uma variável decisiva. E isso nenhuma planilha consegue capturar sozinha", acrescenta Bittencourt.
É na visita que aparecem aspectos que os indicadores não capturam, como a velocidade do fluxo, a facilidade de acesso e a sensação que aquela região transmite a quem passa por ela. Existem pontos bem localizados no mapa que funcionam mal porque as pessoas apenas atravessam a área sem intenção de consumo e regiões secundárias que sustentam operações por conta do hábito e da conexão com o cotidiano do entorno.
Histórico do ponto
A última recomendação dos especialistas é investigar o histórico do ponto comercial e entender quais operações passaram por ali, quanto tempo permaneceram e por que saíram. Soares afirma que esse é o passo que a maioria ignora.
Às vezes o problema não é o imóvel, mas a incompatibilidade com os modelos que tentaram operar ali antesLyana Bittencourt
Bittencourt pondera que um histórico de trocas frequentes não é necessariamente sinal de problema. Ela lembra ainda que o imóvel pode carregar limitações invisíveis de infraestrutura, que só aparecem quando a operação começa a funcionar.
Tempo e custo
Essas análises levam, em média, de três a quatro semanas, prazo que pode variar de acordo com a complexidade do negócio. Ambos os profissionais reforçam que a pressa, nesses casos, pode ser uma grande vilã: o custo de um estabelecimento mal instalado costuma ser muito maior do que o tempo e o dinheiro investidos na análise certa.
O custo desse tipo de estudo também pode variar. Soares informa que “uma avaliação simples e rápida do ponto comercial custa cerca de R$ 400 e indica o potencial do endereço para determinado segmento. Já um estudo territorial completo, voltado a decisões de expansão e planejamento estratégico de rede, pode chegar a R$ 5 mil”.

