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Ficha técnica para restaurantes: como reduzir desperdícios e aumentar o lucro

O uso de fichas técnicas operacionais é o primeiro passo para organizar a rotina da cozinha e garantir a saúde financeira do seu bar ou restaurante. | Foto: Freepik

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Entenda o que é ficha técnica, como estruturar na operação e por que ela é decisiva para reduzir desperdícios e melhorar a margem do restaurante.

Gabriel Barcelos 02/02/2026 | 14:51

Gerir um bar ou restaurante demanda atenção para muitos detalhes. É preciso estar atento ao atendimento ao público; gastos operacionais; tempo de produção da cozinha e do bar; o custo individual de cada prato, drink e bebida; padrão de entrega; cuidados com o estoque, além de desperdícios que podem comprometer totalmente o caixa.

Não é à toa que muitos negócios fecham todos os anos devido à má gestão, falta de perspectiva de longo prazo e planejamento eficiente. Para evitar que isso aconteça, as fichas técnicas em restaurantes oferecem um excelente modo de organizar as rotinas do restaurante, priorizando compras e diminuindo desperdícios.

O que é uma ficha técnica?

Uma ficha técnica gerencial serve como um mapa detalhado da operação de um restaurante. Nela se encontra uma lista de todos os ingredientes, equipamentos, tempo e pessoas necessárias para entregar cada item do cardápio, indicando também o custo bruto de todos os ingredientes, suas quantidades exatas e o valor da venda de cada um deles.

Na operação, a ficha técnica para restaurantes lista tudo que acontece no preparo de um item, desde técnicas específicas, até as ações mais básicas como tempo de cozimento, modo de empratamento ou ordem da montagem de um coquetel.

Em resumo, a ficha técnica padronizada é um documento (virtual ou físico) que ajuda a gestão do restaurante ao oferecer uma visão clara de todas as operações internas, além de organizar a rotina da cozinha e do bar, listando tudo que é preciso para fazer o serviço acontecer.

Qual a importância de montar fichas técnicas?

Para além de uma ferramenta de gestão, a ficha técnica ajuda a fechar o mês sabendo a participação de cada item no faturamento do restaurante, de modo que fica mais fácil realizar o controle de estoque, evitar compras equivocadas e fugir de desperdícios que prejudicam a economia do negócio.

Ela oferece ao dono do bar e/ou restaurante uma visão clara do fluxo financeiro dentro de cada estação de serviço, facilitando decisões como corte de gastos ou investimento em material e serviços. Por exemplo, se uma ficha indicar que um prato simples, com menos elementos, é o que mais vende, a casa pode se organizar para manter um estoque maior dos insumos daquele prato, dando menor prioridade ao item que vende menos, mas que devido à quantidade de insumos no estoque custa mais para o negócio.

Na cozinha, as fichas técnicas também ajudam a equipe a se guiar por um padrão de qualidade elevado. Com a listagem das porções exatas e métodos de preparo organizados e avaliados previamente, o trabalho da cozinha torna-se mais previsível. Quando falamos de alimentação fora do lar, o padrão do serviço é muito importante para fidelização da clientela, além de construção da reputação da marca, como sendo um estabelecimento que entrega qualidade diariamente. 

 

Relato de quem usa fichas técnicas desde a abertura da casa:

Pedro Mendes, chef executivo do Moema Bar & Cozinha, em Belo Horizonte, afirma que desde a abertura da casa, em 2022, as fichas técnicas já são utilizadas.
 
“As fichas sempre foram utilizadas desde o início da operação para garantir precificação correta e controle de produção. [...] Elas impactam diretamente o financeiro, as compras, o estoque e a gestão da operação como um todo. Com base nelas, é possível prever pedidos de acordo com o volume de vendas, planejar compras maiores para estocagem e analisar se a operação está respeitando os padrões definidos.”
 
No Moema, as fichas técnicas são elaboradas pelos responsáveis diretos de cada área toda vez que um novo item é adicionado ao cardápio. Na cozinha, ela é feita pelo chef de cozinha em conjunto com o executivo e, no bar, o responsável é o chefe de bar ou mixologista.
 
Uma vez que as fichas são montadas, um time de controladoria e do financeiro faz a validação final dos números, para que a ficha entre no sistema e passe a fazer parte da rotina. 
 
Nela, todos os produtos são registrados nos mínimos detalhes, incluindo porções de sal e gordura. “Produtos que são preparados previamente possuem uma ficha técnica própria e, depois, essa ficha é incorporada à ficha final do prato”, explica Mendes.
 
A maior vantagem do sistema das fichas técnicas padronizadas é o controle da operação e a manutenção na gestão, uma vez que, como pontua o chef executivo, “com a ficha bem feita, o restaurante passa a ter uma visão muito mais clara de precificação, receitas, padronização, compras e estoque, o que permite ajustes e melhorias em praticamente todas as áreas”.
 
Mendes também explica que, para manter o controle fluindo, existem alguns cuidados regulares que precisam ser feitos pela equipe financeira para garantir consistência e atualização na ferramenta. 

“A rotina principal é acompanhar constantemente o que está sendo comprado versus o que está sendo vendido. Com tudo cadastrado no sistema, é possível saber exatamente o faturamento e quanto precisa ser investido na reposição. Sempre que aparece uma diferença fora do esperado, sabemos que é ali que a atenção deve ser redobrada”, finaliza.

Quando padronizar?

Nem todo restaurante abriu as portas já utilizando as fichas técnicas na cultura de gestão, como é o caso do Moema. Muitos donos de bares e restaurantes apresentam resistência à implementação da ferramenta de padronização após meses ou anos de atuação sem a ter por acharem que já é “tarde demais”, ou por não saberem por onde começar. 
 
Contudo, como dissemos no começo da matéria, todo bar e restaurante pode (e deveria) aplicar fichas técnicas. Por isso, a recomendação do chefe executivo do Moema é instalar aos poucos o novo sistema. Apesar de ser um processo que demanda acompanhamento longo, é uma estratégia de redução de gastos e profissionalização da operação.
 
“O processo é demorado e exige foco, então a sugestão é começar cadastrando todos os produtos e, em seguida, criar fichas técnicas apenas dos pratos mais vendidos, com base em uma curva ABC de vendas. A partir deles, o gestor pode avançar gradualmente para os demais itens do cardápio sem gerar confusão no dia a dia”, orienta Mendes.
 
"O processo é demorado e exige foco", Pedro Mendes.
 
 

O que colocar na ficha técnica

Como elaborar fichas técnicas de maneira correta? Segundo orientações do Sebrae, existem alguns itens essenciais em toda ficha técnica operacional de bares e restaurantes. Listamos abaixo algumas recomendações para estruturar uma ficha técnica gerencial ideal para o negócio de alimentação.
  • Tempo total de preparação (pré-preparação e preparação); 
  • Temperatura; 
  • Fator de correção e índice de cocção; 
  • Rendimento e número de pratos (porções); 
  • Descrição detalhada do modo de preparo; 
  • Nome do prato e do estabelecimento;
  • Data de confecção da ficha técnica; 
  • Lista de ingredientes por ordem de uso com seus respectivos preços por kg ou L; 
  • Tamanho das porções; 
  • Forma de distribuir e empratar;
  • Utensílios e equipamentos a serem utilizados; 
  • Custo por porção; 

Atualmente, existem diversos modelos de ficha técnica disponíveis gratuitamente online, inclusive um modelo criado pela Abrasel, bastando ao líder escolher um modelo e adaptá-lo à sua rotina para tirar proveito de todas as suas vantagens estratégicas e, claro, financeiras. 

 

 

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