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Crédito acessível impulsiona recuperação de empreendedores do setor alimentício após crises climáticas e sanitárias

Equipe reunida para o mutirão de limpeza na indústria Salgadinho Patty após as enchentes no Sul. Com apoio do Fundo de Impacto Estímulo, a empresa conseguiu salvar o maquinário e retomar a produção. | Foto: Fundo de Impacto Estímulo/Divulgação

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As histórias de empresas que encontraram em um fundo de impacto a chance de recomeçar.

Redação B&R 28/01/2026 | 11:38

Em meio a um cenário marcado por adversidades como a pandemia da Covid-19 e as enchentes no Sul do país, empreendedores do ramo alimentício encontram no crédito orientado e acessível uma alternativa para manter os negócios ativos e retomar o crescimento. Histórias como as de Eufrásio de Souza, em São Paulo, e Juliana Bischoff Ferreira, no Rio Grande do Sul, ilustram como o apoio financeiro orientado foi decisivo para a superação das crises. 

A trajetória de Eufrásio de Souza reflete a realidade de milhões de brasileiros que veem no empreendedorismo uma forma de recomeçar. Natural da Paraíba, ele chegou a São Paulo ainda criança, ao lado dos pais e de oito irmãos. Começou a trabalhar aos 10 anos e construiu uma carreira sólida no setor financeiro, onde atuou por 20 anos, até ser desligado do emprego em 2015. 

Diante da dificuldade de recolocação no mercado, decidiu empreender e abriu um restaurante no bairro de Jurubatuba, na zona sul da capital paulista. Apaixonado por gastronomia, apostou em um modelo diferenciado, voltado para o almoço, com foco em um prato simples e popular: os espetinhos. Assim nasceu o Espetinhos SP.

O negócio prosperou ao longo de cinco anos, o que levou à ampliação do espaço no fim de 2019. No entanto, em março de 2020, a pandemia da Covid-19 e o início do lockdown interromperam o crescimento. “Não queria demitir nenhum dos meus oito funcionários, mas estava com o caixa apertado”, relembra o empreendedor. 

A virada veio após Eufrásio assistir a uma reportagem sobre uma ação emergencial criada por grandes empresários — que arrecadaram milhões de reais — para apoiar de forma ágil pequenos empreendedores afetados pela crise, chamado Estímulo. Com a necessidade de rapidez, o empreendedor aplicou e foi contemplado. Fez tudo de maneira 100% digital, sem necessidade de garantia real.

Segundo ele, o apoio recebido foi fundamental para garantir a sobrevivência do restaurante. Ele pôde focar nas adaptações necessárias para o delivery e manteve todos os seus colaboradores. Cinco anos depois, ele continua crescendo e está formatando um plano para a expansão do negócio por meio de franquias.

Como Eufrásio, muitos foram contemplados e, para surpresa dos líderes do Estímulo, a inadimplência foi baixíssima. Com o dinheiro voltando para o caixa, somado ao entendimento de que o problema era estrutural — uma demanda não atendida de financiamento acessível para pequenos negócios —, o Estímulo decidiu manter sua atuação no pós-pandemia. 

Eufrásio de Souza.

Nascia assim, o Fundo de Impacto Estímulo, dentro do conceito de blended finance, um modelo concreto de inovação recente no mundo financeiro. Ele incorpora a filantropia a investidores interessados tanto em retorno financeiro quanto em impacto social. Hoje, mais de cinco anos se passaram e já são mais de 6 mil empreendedores ajudados com crédito orientado, capacitação e conexões, além de cerca de R$ 400 milhões emprestados para empreendedores de todo o Brasil.

A experiência se repetiu em outras regiões do país. Como no caso de Juliana Bischoff Ferreira, proprietária da indústria Salgadinho Patty, localizada em Canoas–RS. Especializada na produção de salgadinhos de trigo frito, a empresa 
atua em uma região severamente afetada pelas enchentes no Sul. Fundada há dez anos por seu pai, o negócio 
passou por uma reestruturação quando Juliana decidiu deixar a profissão de enfermeira para assumir a operação.

Ao identificar a necessidade de modernização, ela liderou a automação de 80% da produção, investindo cerca de R$ 200 mil em novas máquinas. A decisão foi determinante para a sobrevivência da empresa em um momento de grande incerteza. Atualmente, a indústria conta com 38 vendedores autônomos e terceiriza a produção para sete marcas.

Durante as enchentes que atingiram Canoas, a fábrica foi diretamente impactada. Sem apoio governamental, Juliana contou com a ajuda de amigos e funcionários para se reerguer. Ações solidárias foram organizadas para apoiar colaboradores afetados, e uma decisão estratégica permitiu salvar as máquinas mais caras da empresa antes que a água atingisse quatro metros de altura.

O apoio emergencial recebido posteriormente foi decisivo para a recuperação total da indústria, que hoje segue em operação e continua sendo administrada pela família.

Como solicitar crédito no Fundo de Impacto Estímulo

Quem pode solicitar: 

  • Empresas com CNPJ ativo por no mínimo 2 anos;
  • Faturamento mensal entre R$10 mil e R$400 mil; 
  • Histórico de crédito positivo;
  • Solicitação pelo site preenchendo apenas 7 campos básicos e resposta da primeira análise automática no e-mail.


Benefícios:

  • Juros reduzidos: taxa fixa de 1,99% a 3,79% ao mês (dependendo da saúde 
    financeira da empresa).
  • Pagamento flexível: prazo de 24 meses, com 2 meses de carência e parcelas fixas.
  • Agilidade: liberação do crédito em até 5 dias úteis, via processo 100% digital.
  • Autonomia: sem exigência de prestação de contas detalhada sobre o uso do crédito.
  • Fortalecimento empresarial: acesso a programas de capacitação e networking.
  • Estímulo Retomada RS: condições ainda melhores para CNPJs do Rio Grande do 
    Sul.

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