No aniversário de São Paulo, em 25 de janeiro, o Centro ganhou um roteiro pronto para ser percorrido a pé. A segunda edição do Mapa de Bares no Centro reúne 30 bares e restaurantes no entorno da República, em um percurso de cerca de 1 km, e convida o público a redescobrir a capital a partir da cena boêmia que pulsa entre ruas e avenidas.
A proposta vai além de listar endereços. O mapa funciona como vitrine coletiva: sinaliza onde beber e comer bem e, ao mesmo tempo, afirma uma narrativa sobre o Centro: a de que existe ali um circuito de qualidade, capaz de atrair moradores do bairro, turistas e gente de toda a cidade, criando fluxos e novas memórias.
Centro e a criação do Mapa
Ao pensar em bares e restaurantes, a potência do Centro para virar guia está justamente na sua densidade. Com uma circulação demográfica intensa, o Centro de São Paulo entrega camadas que não se limitam à arquitetura ou à grande concentração de endereços. Em poucos quarteirões, convivem história, cultura, música, diferentes cozinhas, bares antigos e casas novas. Esse repertório transforma o deslocamento a pé em experiência e faz do território, por si só, o motivo do “rolê”.
Mesmo diante desse cenário, Caio Bologna, embaixador da San Basile — um dos idealizadores do mapa — lembra que, apesar de ser “um lugar muito cultural e democrático”, o Centro perdeu fôlego nos últimos anos diante de “fortes ondas de assaltos, furtos e especulação imobiliária”.
Foi a partir desse contraste, entre o potencial do território e a perda de circulação, que Bar Cordial, San Basile e Famigerada se aproximaram para desenhar uma ação colaborativa com impacto direto na rua: um guia capaz de estimular o público a voltar a caminhar pela região, descobrir novos endereços e reconstruir a relação com o coração da cidade. Bologna reforça que a proposta era, sobretudo, “reconectar as pessoas a caminhos e lugares que elas deixaram de percorrer”.
O Mapa serviria para atrair consumidores tanto do bairro quanto do restante da cidade para disfrutar e conhecer novos caminhos, lugares e espaços que apenas o Centro proporcionaCaio Bologna.
A partir da ideia delimitada, os idealizadores mapearam bares ao redor da República e aceitação foi massiva. A primeira versão do guia contou com 20 bares participantes; já a versão lançada em 2026, mapeou 30 estabelecimentos na localidade. Para Cesar Rivitti, sócio do Bar Cordial, a ideia é expandir a iniciativa. “A ideia é todo ano fazer uma nova edição; na primeira edição eram apenas 20 endereços, agora são 30, quem sabe na próxima lançamos um guia com 40 estabelecimentos”, afirma Rivitti.
O critério para escolher os bares que integram o Mapa partiu de uma ideia simples, mas eficaz: a qualidade da coquetelaria. É o que destaca Rivitti; para o empreendedor, foi observado lugares em que a qualidade do coquetel fosse acima da média ou que os drinks assumissem um certo protagonismo.
“Há dois anos, ao chegarmos aqui, percebemos que em um raio de 1km existiam muitos lugares que trabalhavam com coquetéis super elaborados. Nós percebemos que aqui estava nascendo um polo da coquetelaria na América Latina e isso tinha que ser evidenciado”, destaca Rivitti.
A ideia é reforçada por Haroldo Narciso, fundador do Famigerada. A cachaça produzida pelo estabelecimento está presente em muitos bares selecionados no raio de localidade da República. Nesse sentido, a ação colaborativa tomou força entre os bares e a cachaçaria, o que auxiliou na construção do Mapa.
A ação colaborativa
Além de evidenciar a ação de revitalização do espaço central da cidade de São Paulo, a criação do Mapa de Bares no Centro evidencia um ponto fundamental para os empreendedores do mercado: a colaboração.
Em um cenário em que muitos donos de bares e restaurantes veem o ato de empreender como algo solitário, a criação de um guia como o lançado no aniversário de São Paulo mostra que a força do mercado também pode estar na cooperação; quando estabelecimentos se conectam por um propósito comum, o marketing deixa de ser disputa por atenção e vira rede, capaz de ampliar visibilidade, redistribuir fluxo e fortalecer o território como destino.
É o que afirma Narciso. “Sem dúvida, o ganho é real. Quando um bar entra no Mapa de Bares no Centro, ele passa a estar na mesma rota de casas como Orfeu, Bar da Dona Onça e o Bar dos Arcos, que é um dos lugares mais visitados por quem vem de fora e quase um ponto turístico da cidade”, destaca o empreendedor.
Nesse contexto, mesmo um endereço menor ganha força: ele passa a ser ‘puxado’ pelos pares que estão ali por perto, entra no roteiro e todo mundo se beneficiaHaroldo Narciso.
Narciso ainda reforça como a ação colaborativa chega até o público. Segundo o fundador do Famigerada, “o público de bar é, por natureza, um público de conexão. Quem vai a um bar não está buscando se esconder do mundo, vai porque quer socializar, encontrar gente, viver a cidade. Esse é o espírito do nosso ambiente: a ideia de estar junto, de se relacionar, de se conectar com o vizinho, com quem produz, com quem compartilha a mesma cena”.
É nesse espírito de conexão que o Mapa se torna relevante para o mercado. “Por isso o Mapa de Bares acaba virando uma expressão legítima dessa conexão”, afirma Narciso.
Mapa na prática
Na prática, o Mapa de Bares no Centro funciona como um roteiro “clicável” para circular pela República: a pessoa escolhe um dos pontos do guia e, na versão digital, toca no nome do bar para abrir a localização e o caminho no Google Maps, já partindo do local onde ela está. A lógica é estimular a experiência a pé, aproveitando a proximidade entre os endereços para montar um rolê em etapas, começar com um drink em uma casa, seguir para outra para comer, e fechar a noite em mais um balcão.
Além do digital, o projeto também existe em versão física, pensada para circular e ficar “à mão” (na bolsa, no carro, em casa), reforçando o mapa como um convite permanente.
Confira os bares presentes no Mapas de Bares do Centro 2026:
- Cordial (Rua Epitácio Pessoa, 32)
- Regô (Rua Rego Freitas, 441)
- Reguinho (Rua Epitácio Pessoa, 152)
- Lágrima (Rua Major Sertório, 95)
- Fel (Edifício Copan - Avenida Ipiranga, 200 - Térreo 69)
- Paloma (Avenida Ipiranga, 200)
- Bar da Dona Onça (Edifício Copan - Avenida Ipiranga, 200 - 27 e 29)
- A Casa do Porco Bar (Rua Araújo, 124)
- Mundi Bar (Rua Rego Freitas, 420)
- Mitte (Rua Rego Freitas, 566)
- Brisa do Baru (Edifício Copan - Avenida Ipiranga, 200 - loja 46)
- Domo (Rua Major Sertório, 452)
- Cora (Rua Amaral Gurgel, 344 - 6º andar)
- Orfeu (Avenida Ipiranga, 318)
- Cantina Los Dos (Rua Dr. Vila Nova, 150)
- Cine Cortina (Rua Araújo, 62)
- Bar da Bege (Rua Dr. Cesário Mota Júnior, 375)
- Lage do Baixo (Rua Dr. Teodoro Baima, 100)
- Dentro (Largo do Arouche, 77)
- Major Bar e Pista (Rua Major Sertório, 347)
- Trópico (Rua Major Sertório, 114)
- Toalha Bar (Rua Major Sertório, 318)
- Fôrno (Rua Cunha Horta, 70)
- Matiz (Rua Martins Fontes, 91)
- Cuia (Edifício Copan - Avenida Ipiranga, 200 - Loja 48)
- Jazz B (Rua Gen. Jardim, 43)
- Formosa Hi-Fi (Viaduto do Chá - Centro Histórico de São Paulo)
- Drosophyla (Rua Nestor Pestana, 163)
- Bar dos Arcos (Theatro Municipal de São Paulo, Praça Ramos de Azevedo, s/n)
- Espaço Zebra (Rua Maj. Diogo, 237)
