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Mise en place: entenda o que é, por que importa e como aplicar na cozinha

A mise en place organiza a cozinha com listas e plano de ataque, reduz improvisos no pico e garante serviço mais ágil, padronizado e tranquilo. Foto: Pexels.

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Entenda como a técnica francesa de “pôr no lugar” organiza a praça, reduz improvisos, acelera o serviço e melhora a experiência da gestão na cozinha.

Duda Gomes 11/02/2026 | 14:53

Nas cozinhas de bares e restaurante, o serviço raramente “desanda” de repente. Quando a operação trava, é comum o diagnóstico cair no óbvio: movimento acima do esperado, cardápio complexo demais ou falta de mão de obra. Apesar desses pontos serem válidos, em alguns casos, a raiz do problema pode estar na falta de organização, previsibilidade e preparo. E é exatamente aí que a mise en place vira ferramenta de gestão.  

Termo francês que significa “pôr no lugar”, a mise en place vai além de deixar ingredientes prontos. A seguir, o cozinheiro Bruno Gelape explica que, na prática, a técnica reduz improvisos e pode facilitar a vida de quem trabalha na cozinha.  

O que é mise en place 

De acordo com Gelapemuitos profissionais do setor acreditam que mise en place é só “deixar tudo picado ou pré-pronto”; no entanto, o cozinheiro afirma que a prática é mais ampla que seu conceito literal.  

Para Gelape, a técnica envolve uma sequência de ações que parecem pequenas, mas sustentam o funcionamento do todo: afiar facas, separar utensílios, preparar descarte e limpeza, checar insumos, organizar a praça, higienizar bancadas, arrumar louças e talheres, vestir uniforme limpo e higienizar ingredientes.  

“A mise en place é organizar a cozinha para um serviço bem-feito e organizar as coisas para fechar a cozinha. A mise também existe para o pós-serviço”, Bruno Gelape.  

Por que a mise en place é tão importante?  

Quando a mise en place está bem feita, o serviço tende a ser mais rápido e com menos erros. Mas há um benefício que muitas equipes subestimam: a saúde mental. Para o cozinheiro, organizar a praça antes do serviço é uma forma de proteger o cozinheiro do caos e, por consequência, proteger a operação. 

Ele exemplifica: “Eu prefiro sobrar do que faltar. Se num sábado costumam sair cerca de 30 massas, não faz sentido ter só 15. Melhor deixar 40 preparadas e trabalhar com tranquilidade, sem o risco de ficar sem insumo na praça.” 

A lógica da importância da mise en place é também evidenciada ao pensar no movimento da equipe da cozinhaGelape demonstra que um bom serviço não aquele em que os funcionários correm mais.  

Mise en place na prática  

Para o cozinheiro, os pilares de uma boa mise en place giram em torno do checklist de montagem da praça e do “plano de ataque” (PA) das etapas do serviço na cozinha. 

Segundo ele, a mise en place garante que a cozinha entre no serviço com previsibilidade. Gelape lista uma espécie de checklist da técnica 

  • Abertura da cozinha: ligar coifas e gás para preparar o ambiente de trabalho. 

  • Higienização inicial: limpar e desinfectar bancadas e áreas de produção antes de qualquer preparo. 

  • Checagem de rotina: conferir listas do dia e ajustar o que for necessário para o turno. 

  • Reposição do básico: garantir itens essenciais em diapapeleiras, sabão e óleos. 

  • Montagem da praça (estação): separar e posicionar utensílios e equipamentos de uso constante. 

  • Utensílios à mão: deixar louças, colheres de serviço, pinças, espátulas, tábuas, panelas e frigideiras no alcance. 

  • Panos e limpeza de apoio: panos dobrados e secos prontos para uso durante o serviço. 

  • Organização final antes do fogo: confirmar que tudo está no lugar e acessívelsó então começar a cozinhar. 

Outro ponto-chave é entender que mise en place não significa “deixar tudo pronto a qualquer custo”. Gelape defende que itens frescos e sensíveis não precisam ficar picados ou finalizados muito antes, mas precisam estar acessíveis, já pensados dentro do fluxo.  

Erros mais comuns na mise en place  

Na outra ponta, quando a mise en place não funciona, o problema costuma estar menos na execução e mais na falta de estrutura. Para Gelape, um erro recorrente é tratar checklist como um item genéricoquando, na prática, cada etapa pede uma lista própria.  

“Os erros mais comuns acontecem quando a pessoa não estruturou direito os tipos de checklist: abertura, fechamento de praça, PA, desperdícios”, afirma. 

É por isso que ele defende a disciplina das anotações como parte da rotina, quase como um “radar” permanente da praça. “O melhor amigo de um cozinheiro são listas eternas. É sempre preciso ter uma folha do seu lado para ir anotando as coisas”, diz.  

Além do método, o cozinheiro aponta um fator cultural que pesa na eficiência do serviço, a disposição para pedir e oferecer ajuda. “Se você percebeu que algo não está correto na sua praça, não tenha receio de pedir ajuda para seus companheiros de trabalho”, orienta. Cozinha não é um trabalho individual, é trabalho em equipe”, completa.  

mise en place resume uma ideia simples: organização. Ao “pôr no lugar” a cozinha, o time ganha previsibilidade para atravessar o pico com menos improviso, menos deslocamento e mais consistência na entrega. Como destaca Gelape, se trata de criar rotina, listas, fluxo e cultura de apoio entre a equipe.

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