Sempre fico atento aos assuntos que vem emergindo nas rodinhas dos profissionais de RH, e um desses que vem crescendo é a “angústia e a ansiedade 2.0 com a I.A generativa”. Digo 2.0 pois uma primeira onda desses sentimentos surgiu há uns 2 a 3 anos, quando fomos expostos em massa a essa tecnologia pela primeira vez.
A IA fazia vídeos e imagens rudimentares, escrevia textos e articulava algumas ideias, e todos começaram a achar que perderiam os empregos.
Nesse contexto, todos começaram a usar o que a IA já era capaz de fazer em suas atividades enquanto as demissões em massa aconteciam apenas nas grandes empresas de tecnologia mundo afora, e a ansiedade foi se assentando.
Estamos entrando em um novo momento, em que essas ferramentas de IA já conseguem desenvolver trabalhos muito mais elaborados. Eu, com toda a minha limitação de conhecimento técnico nessa área, já consigo desenvolver um tal de agente que faz um trabalho extremamente intelectual como eu faria.
Como eu, vários profissionais já percebem esse avanço, e uma nova onda de angústia e ansiedade começa a chegar. Diferentemente da primeira, afetada apelas pelo medo de se perder o emprego, observo uma reflexão do tipo: "o que devo escolher que a IA faça por mim e o que eu vou continuar querendo fazer?".
Particularmente, o que enxergo é que isso não é uma opção: tudo que I.A puder fazer será feito por ela, e não cabe mais ao dono da tarefa escolher se ele irá fazer ou não. Isso simplesmente não é uma opção. E sim, o trabalhador perdeu o controle da execução do seu próprio trabalho. Ele irá fazer o que a IA deixar sobrar. Cabe aqui o questionamento se isso é bom ou ruim.
Com todo esse contexto em vista, faria as seguintes recomendações para líderes de times:
Apoiar a construção de planos futuros junto ao seu time
Não acredito que seja válido vender uma visão romântica de que a IA em momento algum irá substituir o trabalho humano a apenas nos tornará trabalhadores melhores.
Sim, ela vai substituir o trabalho humano em algum (alto) nível. Vale aqui apoiar a construção de planos futuros, de novos trabalhos e oportunidades que podem surgir com isso. Líderes: nesse novo momento, isso é primordial.
Tirar a viseira que te impede de ver o futuro
O ser humano é um ser de negação. Temos a tendência de fechar os olhos e ignorar tudo que pode nos trazer algum tipo de prejuízo, até que finalmente o problema bate a porta. A IA está aí, as ferramentas são cada vez mais potentes e não há como ignorar esse fato. Busque olhar para dentro de si e ser senhor desse movimento, e não apenas ser levado pela maré.
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Controle a ansiedade, sua e do seu time
Se você não está entendendo o que está acontecendo, fica difícil ajudar os demais a entender. Estude muito, se adapte e não lute contra o movimento. Controlar a ansiedade está intrinsecamente ligado a abraçar o futuro inevitável ao invés de se lamentar pelo que está por vir.
Por fim, acredito que esse movimento está só no início. Mais ferramentas, mais tecnológicas, e mais potentes, ainda estão por vir. Minha recomendação é estar muito atento e, dentro do possível, se ajudar e apoiar os demais a surfarem essa enorme onda sem se afogar.
Este texto tem caráter opinativo. As ideias e conceitos expressos no artigo são de inteira responsabilidade do autor.