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Sistemas de gestão aliam tecnologia e hospitalidade em bares e restaurantes

A tecnologia precisa acompanhar a demanda do restaurante com segurança e resposta rápida, pontua especialista da Teknisa. | Foto: Pexels

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A integração entre sistema de gestão e inteligência de dados ajuda restaurantes a crescerem com agilidade no caixa sem perder a identidade no salão.

Maria Eduarda Collares 1 hora, 49 minutos atrás

O crescimento de redes de restaurantes e bares no setor de alimentação fora do lar traz um desafio analítico permanente: como expandir a operação mantendo o fluxo de atendimento e a essência cultural que conquistou os primeiros clientes? A resposta, muitas vezes, pode estar atrelada ao uso de um sistema de gestão que alie a tecnologia ao atendimento hospitaleiro destes negócios." 

No formato de self-service por exemplo, na qual a agilidade é um fator crítico, especialmente em praças de alimentação de shopping centers, falhas operacionais ou lentidão no caixa impactam de forma imediata a percepção do público e a eficiência da casa. 

Para contornar esses gargalos, a tecnologia de gestão tem deixado o papel de mera ferramenta de bastidor para se tornar parte estrutural da experiência de atendimento e da tomada de decisão. 

Identidade regional e a alta da brasilidade 

Essa busca por equilíbrio entre eficiência e hospitalidade acompanha uma tendência mais ampla do setor. Na reportagem “A alta da brasilidade”, publicada pela revista B&R na edição 171, especialistas apontam que o consumidor contemporâneo busca não apenas conveniência, mas também autenticidade e conexão cultural.  

A reportagem indica que a gastronomia mineira, por exemplo, se apoia nos pilares de tradição, qualidade, diversidade e volume, reforçando a importância de valorizar histórias reais no salão sem recorrer a estereótipos. 

Para o especialista em hospitalidade, Ivan Achcar, com a tecnologia sendo cada vez mais aplicada no setor, o diferencial será quem a aplica com estratégia e utiliza o lado humano como diferencial. 

O que diferencia as pessoas é o jeito que a gente trata, o jeito que a gente emociona, o jeito que a gente faz sentir.completa Achcar. 

No caso de operações que nascem com essa forte pegada de acolhimento e culinária típica, o desafio da expansão é fazer com que a escala não descaracterize o serviço. Fundada em Ipatinga (MG) e hoje com 11 unidades, a rede de restaurantes Dona Conceição utiliza a tecnologia para absorver a complexidade operacional da expansão.  

Como explica Rafael Valadares, gerente de TI da rede de restaurantes Dona Conceição, a inovação precisa fazer parte da rotina. “Desde sempre, a empresa tem essa pegada que foca no desenvolvimento, na evolução, e nós usamos muita tecnologia ao nosso favor.” 

Estabilidade operacional em qualquer horário 

Em modelos de self-service voltados ao público de centros comerciais, a velocidade e a continuidade do atendimento são vitais. Clientes em horário de almoço corporativo contam com um intervalo de tempo restrito, o que torna qualquer interrupção na linha de caixas ou no sistema de pesagem um risco direto à fidelização e ao faturamento diário. 

Nesse formato, a estabilidade dos softwares de frente de loja e de retaguarda atua como garantia de fluidez. Conforme analisa Valadares, a infraestrutura técnica precisa ser desenhada para evitar paradas indesejadas. 

“Numa operação de self-service, principalmente em shopping, é crucial que não se interrompa em momento nenhum. Buscamos velocidade e a confiabilidade de que a operação vai funcionar independentemente do que aconteça.” 

Sob a ótica de quem desenvolve soluções para o mercado de alimentação, empresas do nicho de tecnologia buscam uma resposta a essa demanda exige arquitetura de sistema capaz de suportar grandes volumes de transações simultâneas.  

Leandro Jeremias, especialista comercial da Teknisa, empresa especializada em softwares de gestão para o setor, destaca que o monitoramento preventivo é a chave para a estabilidade da operação. 

“A tecnologia precisa acompanhar o ritmo do negócio, especialmente nos momentos de maior demanda. Por isso, a Teknisa investe continuamente em infraestrutura, monitoramento e alta disponibilidade, para que os clientes possam manter suas operações com estabilidade, segurança e capacidade de resposta.” comenta Jeremias. 

O acompanhamento diário de indicadores de estoque e caixa auxilia no controle de custos e na tomada de decisão. | Foto: Divulgação

Gestão orientada a dados em bares e restaurantes 

Além do fluxo contínuo no salão, a digitalização atinge diretamente a inteligência financeira do negócio. O setor de alimentação fora do lar lida rotineiramente com volatilidade nos preços dos insumos, custos operacionais elevados e margens de lucro cada vez mais pressionadas.  

Em redes com múltiplas unidades, acompanhar o Custo da Mercadoria Vendida (CMV) e o giro de estoque em tempo real torna-se indispensável, ainda mais tendo a tecnologia como aliada. Um movimento que deixou de ser tendência e se tornou realidade. 

Segundo estudo Restaurant Technology Landscape Report, da National Restaurant Association, 76% dos gestores de negócios de alimentação afirmam que o uso de tecnologia oferece vantagem competitiva e agilidade.  

No Dona Conceição, a consolidação diária dos indicadores através da Teknisa permitiu identificar desvios, readequar compras e ajustar o mix de produtos oferecidos em cada loja com rapidez.  

“A nossa gestão consegue ter uma tomada de decisão mais assertiva, que impacta diretamente no resultado, podendo oferecer a melhor combinação de produtos para o cliente sem prejudicar o funcionamento da empresa”, afirma o gerente de TI sobre o impacto do controle numérico na eficiência da gestão. 

Ferramentas digitais no relacionamento com o cliente 

Com a operação e os bastidores consolidados, o próximo passo na digitalização dos restaurantes caminha para a inteligência de relacionamento. Se antes a percepção sobre o cliente dependia apenas da observação empírica no salão, hoje a integração de dados permite mapear hábitos de consumo, frequência e preferências individuais. 

Dados da “Menus do Futuro” de 2026, uma das principais tendência do consumo de aliemntação fora do lar está na personalização. Na pesquisa, 58% dos consumidores optam por menus e cardápios personalizados aos hábitos do cliente. 

Para o time do Dona Conceição, a aproximação digital é vista como uma evolução natural da hospitalidade tradicional, uma vez que essa transição tem como objetivo usar os canais digitais para personalizar a comunicação e manter a marca presente no dia a dia do público.  

“Queremos olhar melhor para o nosso cliente utilizando as ferramentas digitais, aumentar essa proximidade e ter uma relação melhor com ele, porque hoje quem faz a nossa empresa são os clientes”, visa Valadares. 

O cenário demonstra que a adoção de sistemas de gestão e dados não anula o fator humano na restauração. Quando a infraestrutura tecnológica resolve os gargalos de caixa, estoque e precificação, a operação ganha a previsibilidade e a margem necessárias para focar no que realmente diferencia um negócio: o produto e a qualidade do atendimento ao cliente.

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