O mercado de alimentação fora do lar vive um momento de forte aquecimento no Brasil. Embalado pelo calendário de lazer e pela movimentação gerada pela Copa do Mundo 2026, o setor registrou uma expansão sólida. Dados do Índice Abrasel Stone revelam que o setor registrou crescimento de 4,6% em maio na comparação anual, registrando o oitavo mês consecutivo de desempenho acima do observado no ano anterior
No entanto, especialistas fazem um alerta: faturamento bruto expressivo e mesas constantemente ocupadas podem camuflar sérios problemas de margem e lucratividade a longo prazo.
Embora os números macroeconômicos tragam otimismo, o dia a dia do mercado impõe uma concorrência feroz e custos operacionais elevados, que podem não ser direcionados de maneira tão estratégica. Diante desse cenário, a premissa de focar todos os esforços de marketing apenas na atração de novos rostos para o salão pode não ser a melhor escolha a longo prazo, por exemplo. Para perfil do novo consumidor do setor de bares e restaurantes, gestores podem encontrar na inteligência de dados o direcionamento dos seus esforços.
Athos Vilarins, CEO da Assessoria Alpha e especialista em posicionamento comercial, aponta que a dinâmica do mercado mudou de forma definitiva. De acordo com o empreendedor, o grande desafio atual da gestão não reside em criar picos isolados de demanda gerados por sazonalidade ou indicações, mas sim em estruturar canais que transformem esse volume bruto em um crescimento previsível, aliando-se ao marketing de performance
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O que é marketing de performance?
A transformação digital na mesa e no balcão atingiu níveis históricos no país, com indicadores recentes do Sebrae reforçando que a adoção de ferramentas tecnológicas voltadas à gestão e ao relacionamento bateu recordes. No segmento de bares e restaurantes, essa maturidade digital força a transição do "achismo" gerencial para estratégias estritamente orientadas por métricas.
Hoje e no futuro, não utilizar dados e não respeitar métricas é 'um caminho seguro' para o fracasso. Marco Amatti
Para Marco Amatti, CEO da Mapa e referência em eficiência operacional, qualidade e estruturação de operações no setor, o operador que não estiver atento a gestão de dados e ferramentas para construir estratégias, implementar mudanças, avaliar resultados ou ainda negligenciar estes recursos, condenará seus negócios ao desaparecimento desde já.
Na lógica do marketing de performance, por exemplo, as ferramentas de automação, os programas de fidelização de clientes e as campanhas digitais deixaram de ser exclusividade de grandes redes.
Hoje, entender profundamente a jornada do consumidor, que pesquisa avaliações nas redes sociais e compara opções em tempo recorde, é pré-requisito para a sobrevivência. Quem ignora essas etapas perde espaço imediato para concorrentes digitalmente estruturados.
“O trabalho diário em processos, pessoas, marketing e lucratividade utilizando análises de dados e dados empíricos (importante para a validação de mudanças e inovações), são cruciais nos acertos e manutenção destes pilares, resultando em consistência”, reforça Amatti.
A importância de indicadores de clientes fidelizados
Analisar exclusivamente o volume de clientes que cruzam a porta da frente é uma visão incompleta e pede não só a ampliação da visão de público, quanto do apoio de métricas e planilhas de dados capazes de prever os padrões desses clientes, segundo Vilarins. Para o especialista em posicionamento comercial, negócios de alta performance monitoram o ciclo completo de relacionamento com o consumidor.
Gustavo de Oliveira, fundador da Assessoria Alpha e especialista em desenvolvimento comercial, argumenta que o crescimento sustentável é garantido por um tripé claro: aquisição, conversão e retenção.
Na prática operacional, isso exige o monitoramento de indicadores que antes passavam despercebidos pela maioria dos gestores. Métricas como o Custo de Aquisição de Clientes (CAC), a taxa de retorno e a frequência de consumo tornaram-se tão vitais para o negócio quanto o controle de estoque e custos.
Saber exatamente qual campanha gera reservas e quais ações elevam o tíquete médio elimina os investimentos às cegas e acelera as tomadas de decisão. Afinal, a busca por previsibilidade de receita virou a principal prioridade estratégica do mercado.
O que não quer dizer que ela seja fácil de ser alcançada, afinal, para Amatti, previsibilidade é um resultado de diversos processos aliados e da capacidade de persistir, porém não é impossível.
Para isso, Amatti orienta que é preciso pensar que previsibilidade vem de processos como:
- Dominar os pilares básicos: reforce seus processos de aquisição, conversão e retenção de clientes utilizando as melhores ferramentas de gestão e um planejamento estratégico bem desenhado.
- Uso de dados e da sazonalidade: monitore calendários do setor, eventos locais ou globais e o histórico de oscilação de público para antecipar ações de promoção e fidelização
- Preparação de planos de contingência: fatores climáticos ou imprevistos (como chuvas que disparam o delivery mas somem com os motoboys) exigem saídas rápidas para proteger suas metas.
- Ter paciência e constância: a previsibilidade total é um alvo contínuo, não estático. O alinhamento entre planejamento e execução a longo prazo é o que traz a estabilidade para o negócio.

