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Mercado Novo ganha mapa e reforça o potencial da gastronomia mineira

Uma das entradas do Mercado Novo dá acesso a uma feira de frutas, legumes e hortaliças, situada no primeiro andar do edifício. | Foto: Bernado Silva

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Projeto reforça a importância da preservação da história da gastronomia mineira mapeando as 1.200 lojas de um dos principais pontos turísticos de Belo Horizonte

Yasmim Paulino 12/01/2026 | 18:13

Para celebrar os 60 anos de existência do Mercado Novo, a Oficina Paraíso em parceria com o Cozinha Tupis construiu o Mapa do Mercado, projeto que cataloga e registra as 1.200 lojas do prédio. 

Por muito tempo, o Mercado Novo foi um ponto ocupado por negócios tradicionais, entre mercearias, gráficas, bares e restaurantes que ocupam o lugar há décadas. Em seu projeto original, o comércio local servia basicamente para atender os moradores do bairro e a estrutura era precária.  

Mas há cerca de 7 anos, o espaço passou por uma transformação com a chegada de novos empreendimentos. Essa renovação cultural, gastronômica e econômica do Mercado teve um protagonismo do setor de bares e restaurantes. 

"O segmento de bares e restaurantes foi o mais marcante da reocupação do Mercado, principalmente visto que esse movimento foi liderado pela Cozinha Tupis e Distribuidora Goitacazes, que em 2017 enxergaram ali um potencial e apostaram em ocupar um local abandonado que hoje se tornou grande polo da gastronomia e economia criativa mineira", explica Luana Abreu. 

Fachada do Mercado Novo em 1964. | Foto: Acervo Oficina Paraíso

A construção do Mapa do Mercado 

Para construir o mapa, a jornalista e pesquisadora Luana Abreu foi responsável pelo processo de visitar, entrevistar e catalogar cada um dos estabelecimentos do Mercado. 

Segundo a jornalista, a tendência é que espaços como esse mudem constantemente ao longo dos anos e, por isso, registrar a existência de cada um dos estabelecimentos e a arquitetura do prédio é uma maneira de alimentar a memória da gastronomia mineira. 

"Registrar a existência desses profissionais, suas especificidades e processos faz com que eles se eternizem de alguma maneira, cria uma memória coletiva da vocação do local e um pacto coletivo de mantê-lo", contou. 

Projeto gráfico do Mapa do Mercado Novo, executado pela Oficina Paraíso em parceria com a Cozinha Tupis, celebra 60 anos da existência do edifício. | Foto: Divulgação

O mapa funciona, sim, como um registro histórico dos inúmeros empreendimentos que ocupam o Mercado Novo, mas também cumpre sua função principal: orientar visitantes. 

"Ele serve para se localizar geograficamente no espaço (são mais de 1.000 lojas em 4 andares), mas também organiza em categorias e mostra para o público quantas opções é possível encontrar ali", explicou a jornalista. 

Além de registrar a história do espaço e orientar os visitantes, Luana buscava incentivar as pessoas a conhecerem a fundo o lugar, que tem tanto a oferecer. 

"Muitas pessoas atualmente conhecem apenas o segundo e terceiro andar do prédio, nosso intuito era voltar os olhares também para a feira livre e o primeiro andar, onde habitam os negócios mais tradicionais dali", explica. 

A gastronomia mineira e o Mercado Novo 

O estado de Minas Gerais é um dos principais destinos gastronômicos do mundo, ao lado de países com enorme apelo turístico como Grécia e Espanha. O mais recente reconhecimento foi feito pelo Condé Nast Traveler, referência em turismo, como um dos principais destinos gastronômicos do mundo em 2026. 

Os novos empreendimentos que ajudaram a reconstruir o espaço despertaram o potencial cultural que os mercados ofertam. Nesse caso, a pluralidade de negócios que molda o atual Mercado Novo ajudou a construir uma espécie de identidade gastronômica para o espaço e, de maneira consequente, para Belo Horizonte. 

Para Fabrício Reis, sócio da Pão de Queijaria, restaurante que investiu em diferentes versões do pão de queijo recheado como principal produto do cardápio, a nova geração do mercado ajudou a deixar o espaço mais democrático. 

"A renovação do Mercado atraiu um público muito mais diverso, formado por pessoas de diferentes regiões da cidade, visitantes de fora de Minas Gerais e frequentadores de distintas idades, culturas e classes sociais, tornando o espaço mais democrático e plural", Fabrício Reis 

Nessa mesma perspectiva, Luana destaca ainda que a diversidade gastronômica que o Mercado oferece é um dos seus grandes diferenciais. "No mesmo edifício em que se encontra um delicioso PF mineiro por menos de 20 reais, também é possível saborear um prato de um restaurante premiado nacionalmente", explica. 

Hoje, o Mercado Novo representa um importante polo de valorização da gastronomia mineira e ajuda a consolidar a identidade culinária da capital mineira. Mais do que um ponto turístico, o Mercado reposiciona Belo Horizonte no cenário nacional e internacional da gastronomia. 

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