O futuro do mercado de alimentação fora do lar vem sendo discutido com muita firmeza nos últimos dias. O tema repercutiu no Salão Abrasel 2026 e ganhou novas ferramentas no iFood Move 2026, evento realizado nos dias 16 e 17 de setembro, no São Paulo Expo.
Entre os anúncios, duas frentes de inteligência artificial para bares e restaurantes: o Toqan, assistente conversacional voltado à gestão do negócio, e o iFood IA, que acompanha a operação no dia a dia.
O movimento vem acompanhado de investimento e inovações para ganhar mais espaço no setor de delivery no Brasil. O iFood destinou R$ 24 bilhões no ano fiscal de abril de 2026 a março de 2027, alta de 41% sobre o ciclo anterior. No ano fiscal anterior, o aumento do investimento à época foi de 17%.
Desse total, mais de R$ 2 bilhões vão para tecnologia e inovação, o que inclui a evolução de agentes de IA e o Large Commerce Model (LCM), modelo de IA generativa desenvolvido com a Prosus para o comércio e o delivery. O LCM aprende com cliques, buscas, compras, cancelamentos e avaliações.
Toqan: a IA da Prosus com o iFood
Foi nesse cenário que o iFood apresentou o Toqan, ferramenta de IA conversacional desenvolvida pela Prosus em parceria com a empresa, com base em 15 anos de conhecimento da operação do grupo no setor de delivery.
Segundo o iFood, o que a diferencia de assistentes generalistas é o treinamento: dados anonimizados de alimentação fora do lar acumulados nesse período.
Rian Linhares, especialista do time de experiência do restaurante do iFood, resume o Toqan como uma IA parecida com outras já conhecidas do mercado, como o Claude, mas já conectada aos dados do iFood.
O restaurante acessa pelo navegador, em um site separado do Portal do Parceiro, com o mesmo login e senha, sem criar nova conta.
Na tela inicial, o dono já encontra um módulo de performance com faturamento, pedidos, cancelamento, tempo de preparo, avaliação e percentual de chamados.
“A gente já traz uma coisa mais pronta”, diz Linhares, pensando em quem ainda não consegue construir as próprias análises. Quem quiser ir além pode pedir ao chat, por exemplo, um relatório com os principais motivos de cancelamento do mês passado.
Quem tem várias lojas no portal pode vê-las juntas e compará-las. Os relatórios também podem ser enviados ao WhatsApp. Hoje, o resumo é padrão, com GMV, pedidos e cancelamentos do dia anterior, e pode ser programado para chegar, por exemplo, às 9h.
Reputação e inteligência de mercado
No módulo de reputação, o restaurante conecta a conta do Google e passa a ver avaliações do Google e do iFood em um só lugar, com nota média, comentários positivos e negativos e o que ainda está pendente.
Para o Google Business, o Toqan já sugere respostas: o dono aprova e publica pela própria ferramenta. Se não gostar do tom, cadastra uma instrução, que será seguida nos próximos comentários; a resposta já gerada não é reescrita.
No iFood, a resposta ainda é feita na plataforma. A integração está sendo avaliada, sem previsão de lançamento. Os dados do iFood chegam com um dia de defasagem.
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Menos caos, mais antecipação
Para Juliana Yamada, vice-presidente de Novos Negócios do iFood, a ferramenta nasce de um problema visto em campo. A equipe fez centenas de visitas a restaurantes e encontrou “um nível de fragmentação de dados, de ferramentas” enquanto o empreendedor toca cozinha, cardápio e atendimento.
A ideia é inverter a lógica: em vez de o dono correr atrás dos dados, é o Toqan quem organiza e entrega as informações, como um aviso de que as avaliações da última semana apontam problema no atendimento no almoço, em dias de semana.
Na mão de obra, tema apontado como uma das maiores dores do setor, com rotatividade acima de 70%, segundo a Abrasel, Yamada vê dois caminhos. O primeiro é eliminar o trabalho manual, como responder avaliações e cruzar planilhas para saber como foram as vendas do dia anterior.
O segundo é planejar a equipe: a expectativa é integrar o Toqan à previsão do tempo, para antecipar picos de delivery em dias de chuva e vales no salão, além de datas como feriados em cidades turísticas.
Segundo levantamento da Galunion, a adoção de IA entre estabelecimentos independentes subiu de 7%, em 2023, para 18%, em 2025, ainda distante dos 43% das grandes redes.
Entre quem já usa, a aprovação é alta: dados da Abrasel indicam que 70% dos donos que adotaram a tecnologia consideram os resultados satisfatórios. “Democratizamos o acesso à inteligência artificial para cada dona e dono de restaurante do país”, afirma Yamada.
iFood IA: um mentor dentro da operação
Segundo Melissa Quaresma, product manager do iFood Parceiros, o iFood IA é um pacote que cobre toda a jornada do parceiro, da abertura da loja ao fechamento do turno, “como se fosse um mentor”.
A distinção em relação ao Toqan, diz, está no momento: os relatórios servem à análise pós-operação, fora da rotina; o iFood IA é para resolver os problemas do dia. Tudo aparece como recomendação no Portal do Parceiro.
