A ideia de que a Geração Z estaria se afastando do consumo de bebidas alcoólicas pode não refletir mais o comportamento atual dos jovens em idade legal para beber. Segundo informações publicadas pelo Guia da Cerveja, uma nova edição do levantamento global Bevtrac, conduzido pela consultoria IWSR, aponta que esse público alcançou um patamar de consumo próximo ao observado entre os adultos em geral.
De acordo com a pesquisa, realizada em 15 mercados-chave globais, 74% dos consumidores da Geração Z com idade legal para beber consomem álcool atualmente. O percentual é próximo da taxa média de participação dos adultos em geral, de 76%. O número também representa avanço em relação ao observado há três anos, quando a participação dos jovens era de 66%.
O dado contraria uma leitura que vinha ganhando força no mercado de bebidas: a de que os consumidores mais jovens estariam rejeitando o álcool em nome da sobriedade, do bem-estar e de uma rotina mais saudável. O levantamento sugere outro caminho. A Geração Z não necessariamente bebe menos; ela bebe de forma diferente.
Segundo a análise divulgada, os jovens mostram preferência por ocasiões de consumo mais sociais e por bebidas com maior complexidade de preparo. A coquetelaria aparece como uma das categorias mais relevantes para esse público: 84% dos consumidores da Geração Z disseram ter consumido coquetéis nos últimos seis meses, consolidando o grupo como um dos mais interessados nesse tipo de bebida.
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Comportamento Social
O comportamento social também chama atenção. Cerca de 18% dos jovens relataram que a última ocasião de consumo envolveu grupos com cinco ou mais pessoas. Para bares e restaurantes, o dado pode indicar oportunidades em experiências coletivas, cartas de drinques, menus compartilháveis e formatos de consumo pensados para grupos.
Ao mesmo tempo, a pesquisa mostra que a moderação segue presente, mas não como uma característica exclusiva dos mais jovens. Quase metade dos consumidores da Geração Z, 49%, afirma prestar atenção às diretrizes oficiais de saúde. Já entre os Baby Boomers, a participação no consumo aparece em patamar menor, de 71%, com menor frequência de saídas e menor média de doses por ocasião.
Outro ponto relevante do levantamento é a redução da intensidade de consumo em escala global. A média passou de 4,4 para 3,9 doses por ocasião, indicando que a moderação pode ser entendida como uma mudança estrutural de comportamento, e não apenas como uma tendência geracional.
Para o setor de bares e restaurantes, os dados reforçam a importância de observar o público jovem com mais nuance. A oportunidade não está apenas em produtos sem álcool, mas também em experiências de consumo mais planejadas, sociais e conectadas a escolhas conscientes.
Na prática, isso pode influenciar a construção de cartas de bebidas, a oferta de coquetéis autorais, a comunicação com o público jovem e o desenvolvimento de opções com menor teor alcoólico. A Geração Z continua presente no consumo, mas exige propostas alinhadas a novos códigos de sociabilidade, bem-estar e experiência.

