O iFood Benefícios anunciou, nesta terça-feira (20), a assinatura de um acordo para adquirir a Caju, empresa de tecnologia especializada em benefícios corporativos, gestão de despesas e recursos humanos. A operação busca fortalecer a atuação da companhia em um mercado que movimenta aproximadamente R$ 150 bilhões por ano no Brasil, segundo estimativas divulgadas pelas empresas.
Juntas, as companhias somam cerca de 135 mil clientes corporativos e aproximadamente 3 milhões de usuários, sem descontar possíveis sobreposições entre as bases. O iFood Benefícios atende 1,7 milhão de usuários e 65 mil empresas, enquanto a Caju reúne 1,3 milhão de trabalhadores e mais de 70 mil clientes corporativos.
A movimentação ocorre em meio às transformações no mercado de vale-refeição e alimentação e à implementação de novas regras do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT).
O anúncio também representa mais um movimento do iFood no segmento de benefícios. Em 2025, o Portal B&R repercutiu informações sobre uma possível negociação entre iFood e Alelo. Na ocasião, os controladores da Alelo negaram ter recebido proposta formal envolvendo a companhia.
O que a aquisição pode representar para bares e restaurantes?
Segundo o iFood, a união das operações tem potencial para ampliar o alcance de suas soluções de pagamento e fortalecer a rede de estabelecimentos que atendem trabalhadores beneficiários de vale-refeição e alimentação.
Atualmente, o cartão do iFood Benefícios é aceito em mais de 11 milhões de estabelecimentos físicos, enquanto a Caju informa uma rede de aceitação superior a 12 milhões de estabelecimentos. Esses números abrangem diferentes categorias comerciais e não devem ser interpretados como uma quantidade exclusiva de bares e restaurantes.
A negociação também ocorre em um contexto de mudanças regulatórias. O Decreto nº 12.712/2025 estabeleceu um teto de 3,6% para as taxas de desconto cobradas dos estabelecimentos nas operações abrangidas pela regulamentação, além de limitar a 15 dias corridos o prazo de liquidação financeira.
As novas regras também preveem a abertura dos arranjos de pagamento e a implementação gradual da interoperabilidade entre diferentes redes, com o objetivo de ampliar a concorrência no setor.
Apesar disso, os efeitos econômicos da regulamentação são discutidos por representantes do mercado. Em reportagem anterior, o Portal B&R analisou os impactos das mudanças do PAT sobre taxas, prazos e custos para bares e restaurantes, incluindo preocupações com a distribuição dos custos entre as empresas de benefícios e os estabelecimentos comerciais.
No caso da aquisição da Caju, ainda não há confirmação de mudanças nas taxas, nas condições contratuais ou nas formas de aceitação dos cartões decorrentes da negociação.
Operação ainda depende de aprovação
O acordo foi comunicado ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e também precisará passar pela aprovação do Banco Central.
Até a conclusão dessas etapas, o iFood Benefícios e a Caju continuarão operando de forma independente. Segundo as empresas, a negociação não provoca mudanças imediatas para clientes, trabalhadores e estabelecimentos parceiros.
Os valores da transação não foram divulgados.
* Com informações do iFood Benefícios e do Ministério do Trabalho e Emprego.
