As vendas no setor de bares e restaurantes cresceram 9,9% no terceiro trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. Os dados são do Índice Abrasel-Stone, relatório mensal divulgado pela Stone em parceria com a Abrasel.
Em setembro, o avanço foi de 10,8% sobre o mesmo mês do ano anterior, acima dos 7,9% registrados em agosto. Com isso, o setor segue há mais de 12 meses com desempenho superior ao comparativo anual.
O resultado também ficou à frente do varejo como um todo. Segundo o Índice do Varejo Stone, o comércio ampliado cresceu 6,3% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período de 2025.
O crescimento é generalizado
Os 24 estados analisados pelo levantamento registraram alta em setembro na comparação anual. Roraima (26,3%), Rondônia (22,0%) e Sergipe (20,6%) tiveram os maiores avanços, seguidos por Paraíba (17,8%) e Amazonas (16,8%). No outro extremo, Piauí (1,5%), São Paulo (6,8%) e Paraná (7,7%) tiveram as menores altas.
As macrorregiões que mais cresceram de acordo com o levantamento foram:
- Norte: 18,2%;
- Centro-Oeste: 13,0%;
- Nordeste: 12,7%;
- Sul: 12,6%;
- Sudeste: 10%.
Para Guilherme Freitas, economista e pesquisador do Índice Abrasel-Stone, "a alimentação fora do lar faz parte tanto da rotina dos brasileiros quanto de momentos de socialização e lazer, o que ajuda a sustentar a demanda. Além disso, a disseminação do crescimento, registrada em todos os estados e regiões do país em setembro, indica que o resultado não está concentrado em poucos mercados."
O que explica o movimento no setor de bares e restaurantes?
Para além do número, o desempenho do setor se apoia em um cenário em que o consumo das famílias é sustentado pela renda, reiterado inclusive por Freitas.
De acordo com o Índice do Varejo Stone, a taxa de desemprego ficou em 5,3% em agosto, a menor da série histórica para o mês. A massa de rendimentos do trabalho chegou a R$ 385,6 bilhões, novo recorde, e o rendimento real médio habitual foi a R$ 3.777, alta de 3,7% em um ano.
O mesmo relatório mostra que os segmentos mais sensíveis à renda cresceram 9,7% no terceiro trimestre sobre o mesmo período de 2025, contra 2,8% dos mais dependentes de crédito. Bares e restaurantes, por não dependerem de financiamento para a venda, tendem a se beneficiar do primeiro grupo.
Mesmo assim, o crédito caro e o endividamento das famílias seguem como freios para a economia. O comprometimento de renda com o serviço da dívida chegou a 28,7% em julho, máxima histórica, segundo o relatório da Stone.
A inflação de serviços também segue elevada, em torno de 5,5% em 12 meses até agosto, o que pode pressionar custos e preços no setor.
"O setor mantém um desempenho positivo na comparação anual, mas será importante acompanhar se as condições de renda e emprego continuarão sustentando o consumo", avalia Guilherme Freitas.
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Expectativa para o fim de ano em bares e restaurantes
Segundo o Índice do Varejo Stone, que cita a mediana do boletim Focus, a expectativa é de mais um corte até dezembro, com a Selic encerrando 2026 em 13,50%. O estímulo mais relevante do afrouxamento monetário, porém, deve se concentrar em 2027, conforme a avaliação da Stone.
Até lá, o consumo segue ancorado na renda, o que tende a favorecer o setor nas datas mais fortes do fechamento do ano, como Black Friday, confraternizações corporativas e festas de fim de ano.
Para Freitas, é aqui que o mercado pode usufruir de oportunidades importantes, incluindo promoções ou espaços para ações comerciais. Todavia, esses caminhos dependem, sobretudo, do perfil de cada estabelecimento, das estratégias adotadas e dos rumos do comportamento do consumidor, segundo o economista.
"Apesar das perspectivas positivas para o período, é importante considerar que o crescimento não está garantido. A pequena retração mensal observada em setembro reforça a necessidade de acompanhar a evolução da atividade e de avaliar se o ritmo de expansão se manterá no fechamento do ano", completa Freitas.
