Se antes influenciadores promoviam apenas visibilidade e alcance no ambiente digital, pesquisa recente da YouPix com a Nielsen mostra que conversão de vendas e confiabilidade podem ser seus principais benefícios.
Segundo a pesquisa, intitulada O Efeito da Influência no Consumo 2026, 81% dos consumidores já adquiriram produtos por indicação de influenciadores, média acima da avaliada em 2025. Para especialistas do setor AFL, essas potencialidades podem ser mais bem utilizadas para bares e restaurantes.
Inserido em campanhas de marketing e parcerias comerciais, os criadores de conteúdo em negócios de alimentação são comumente utilizados para reviews nos estabelecimentos. Agora, precisam ser vistos também como ferramentas na geração de confiança, comunidade e recorrência de compras.
O papel do criador de conteúdo na jornada de compra
Diferente de conteúdos produzidos pelos próprios estabelecimentos comerciais, conteúdos de influenciadores são vistos como formas de contato mais próximas e intima. Lucas Fraga, head de estratégia e cofounder da BALT, comenta que “O marketing de influência, de modo geral, passa uma sensação de proximidade e horizontalidade. O consumidor brasileiro é muito desconfiado de marcas e costuma pular 'publis'. Quando a marca está falando diretamente, ele tende a ficar com o pé atrás.”.
Para Fábio Gonçalves, especialista no mercado de marketing de influência, “o creator não entra apenas para amplificar uma mensagem pronta. Ele traduz o produto para a rotina da audiência, mostra uso real, gera identificação e reduz a distância entre marca e consumidor.” No estudo da YouPix, conteúdos informativos (50%) e reviews após consumo (47%), são destaque quando o assunto é incentivar e auxiliar na decisão da compra.
Depois da compra, o resultado também é positivo. O estudo aponta que clientes que compram influenciados por criadores de conteúdo superam suas expectativas com o produto (54%), são incentivados a descobrir novos itens da marca (52%) e passam a confiar na marca em si (55%).
Números não significam compras
Em um primeiro momento, a expectativa é que quanto maior os números de seguidores de um influenciador, maior será seu “poder” de conversão, mas, como Fraga ressalta, especialmente os nano, micro, pequenos e até médios criadores tem maior fator de influência quando o assunto é compras:
“Eles geram uma sensação de 'poderia ser eu ali', uma projeção muito importante. O consumidor se enxerga nele e, por isso, é mais fácil se identificar com aquele conteúdo.”, explica o especialista.
De acordo com a pesquisa, 62% dos consumidores afirmam que o número de seguidores pouco ou nada interferem na confiança de comprar algo a partir de um influenciador.
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Como usar influenciadores no mercado de alimentação?
Dá para dizer que os pequenos, médios e microinfluenciadores estão na lógica da inspiração, enquanto os grandes estão na lógica da aspiração. Lucas Fraga
A partir dessa lógica, é preciso entender que usar das potencialidades dos criadores de conteúdo no mercado de alimentação fora do lar, é também se aproximar das comunidades na quais eles atingem. Por isso, especialistas recomendam que inicialmente, haja uma conexão entre marca, criador e comunidade através de valores em comuns.
“A pergunta principal deve ser: qual comunidade faz sentido com o meu restaurante, com o meu bar ou com a região onde estou? Isso importa muito mais do que os números. Dessa forma, o influenciador deixa de ser apenas uma mídia e passa a ser um curador”, cometa Fraga.
Para que isso ocorra, é preciso que a parceria entre negócio de alimentação e criador seja construída aos poucos e de forma genuína. “O caminho é firmar parcerias e levar esses creators para experiências exclusivas. Isso é muito mais importante do que simplesmente pedir para falar bem do restaurante. Ao convidá-lo para vivenciar a experiência e mostrar os detalhes, a 'publi' acontece de forma muito mais natural.”, finaliza o cofounder da BALT.
Na visão Dayanne Melgaço, que atua tanto como criadora de conteúdo quanto como gestoras de negócios ligados à gastronomia, “as pessoas tendem a repetir o que veem o influenciador consumir.”
Melgaço exemplifica que o simples ato do influenciador de combinar um drink com um prato específico faz com que no dia seguinte, clientes cheguem ao estabelecimento pedindo exatamente o mesmo “combo”.
“Por isso, quando o empresário contrata um criador, é importante saber qual é o protagonista que ele quer colocar em evidência. Não é só sobre gerar visibilidade, mas sobre apresentar aquilo que a casa tem de diferencial e que pode despertar o desejo de consumo.”, finaliza Melgaço.

