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Gestão de delivery no WhatsApp, como aplicar em seu negócio de alimentação?

A gestão de atendimento de whatsapp e gestão de delivery tem se tornado cada vez mais importante para o mercado de alimentação fora do lar, apontam dados. | Foto: Pexels

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Deixe de usar o WhatsApp como simples telefone digital: descubra como a automação inteligente e o CRM transformam o canal em motor de gestão de vendas.

Brener Mouroli 1 hora, 13 minutos atrás

O mercado de alimentação fora do lar no Brasil possui algumas particularidades, uma delas é uso de aplicativos de mensagens para a interação com os clientes. O que antes era apenas uma ferramenta de comunicação casual entre amigos e familiares transformou-se em um dos principais motores e ecossistemas de vendas diretas para bares e restaurantes. 

No entanto, muitos operadores ainda subestimam o potencial dessa ferramenta, tratando-a como um simples "telefone digital" ou como uma ferramenta de entrada para o serviço de atendimento ao cliente.  

Para profissionalizar a gestão de delivery, é preciso entender que o WhatsApp é o terreno próprio do seu negócio. E para aproveitar todo o potencial, deve-se ir além do básico e adotar as melhores práticas de SEO local e gestão estratégica.  

Neste artigo, vamos explorar como integrar ferramentas de automação, centralizar a triagem de pedidos e utilizar um sistema de gestão para delivery para alavancar a rentabilidade, ouvindo especialistas que vivem o dia a dia dessa operação. 

Quais são os gargalos da operação manual do atendimento do cliente por WhatsApp? 

A transição para o ambiente digital, na maioria das vezes, ocorreu por sobrevivência, e não por performance, empreendedores sentiram a obrigação de estar no ambiente digital ao invés de olhar para esse cenário como algo estratégico para o negócio.  

A consequência disso pode ser sido uma falta de "consciência digital" no mercado, onde empreendedores abriram contas no WhatsApp, mas continuaram anotando pedidos em cadernetas e repassando para a chapa manualmente. O problema maior surge quando falamos do gerenciamento de um alto volume de pedidos de delivery de forma 100% manual no WhatsApp, pois cria um gargalo imenso: o cliente, muitas vezes, precisa trocar dezenas de mensagens para perguntar sobre sabores, taxas e tempo de preparo. 

Por isso, a utilização de sistemas que integrem o WhatsApp com o sistema de gestão de delivery e, em alguns casos, gestão do salão e do negócio no geral, são tão necessários e úteis. Afinal, eles ajudam a melhorar agilidade na entrega, experiência do cliente e até mesmo na reputação do negócio. 

Thiago Risan, CEO da Deve Food, aponta que o tempo é o maior inimigo da operação manual e que a tecnologia é a única saída para escalar.  Ao integrar o canal a um cardápio digital, o impacto é imediato e mensurável. “A pessoa entra, recebe a mensagem de saudação e acessa o link para fazer o pedido inteiro. O restaurante recebe o pedido pronto no WhatsApp, o que diminui na faixa de 90% o tempo de atendimento”, afirma Risan. 

Qual é a importância de um sistema de gestão de delivery integrado? 

Centralizar os pedidos que chegam por WhatsApp impacta diretamente a organização da cozinha e o tempo de entrega. Risan reforça que a integração é o que garante a fluidez do processo produtivo. Segundo o CEO da Deve Food, ter todos os pedidos centralizados elimina os ruídos de comunicação na leitura da comanda. 

 "O pedido é impresso automaticamente em impressoras térmicas direto na praça de produção da cozinha via Bluetooth, sem depender de computadores grandes", detalha Risan, destacando também que a gestão permite rastrear qual entregador saiu com qual rota em tempo real. 

Quais são as funcionalidades essenciais em um sistema de gestão para delivery e WhatsApp? 

Para que a tecnologia realmente funcione como um facilitador na rotina de bares, restaurantes e operações de alimentação fora do lar/Foodservice, os especialistas e empresários destacam que a ferramenta precisa ser completa e descomplicada. Com base na vivência de quem está na ponta, um bom sistema de gestão precisa contar com os seguintes pilares: 

  • Integração de canais em tela única: centralizar em um único painel os pedidos vindos do WhatsApp, cardápio digital próprio e dos principais marketplaces (como iFood e 99), evitando erros e dispensando múltiplos dispositivos. 
  • Automação inteligente e híbrida: contar com robôs para a recepção inicial, saudação e envio de links de cardápio, mas com a flexibilidade de cortar o atendimento automatizado e permitir a intervenção humana imediata quando necessário. 
  • Comanda direta e gestão de cozinha: automatizar o fluxo para que o pedido chegue formatado e pronto, gerando impressões automáticas via Bluetooth ou rede na cozinha e acompanhando as etapas de preparo e despacho. 
  • Controle de entregas e motoboys: permitir o rastreio e a atribuição de entregas por motoboy, garantindo agilidade no suporte e visibilidade sobre a logística final. 
  • Gestão de estoque, caixa e finanças: oferecer fechamento de caixa separado por salão, balcão e delivery, além de controle de CMV (Custo da Mercadoria Vendida) e estoque em tempo real para dar robustez financeira ao negócio. 

Como resume Deived Lima, proprietário da Peu Company, que gerencia milhares de contatos e múltiplas operações com o auxílio de sistemas robustos como o Cardápio Web: "Quem vai abrir um comércio hoje em dia, pegar um programa desse, estudar o programa e aplicar no seu negócio, ele já tem um negócio completo fazendo tudo". 

Investir em canal próprio ou marketplaces de entregas de comida? 

Uma dúvida comum na gestão de delivery é o conflito aparente entre os grandes aplicativos de entrega (marketplaces) e o canal próprio de atendimento via WhatsApp. Donos de bares e restaurantes que focam na alta performance de seus negócios utilizam ambos os canais, porém, cada um deles com o seu peso e sua finalidade; seja o aplicativo para expandir o nome da marca ou seja o WhatsApp para criar uma conexão mais próxima com o cliente. 

Como explica o empresário Lima, há impacto também no caixa do negócio. Ele relata como essa diferença entre as plataformas muda a estratégia de precificação.  

"Se você entrar na minha plataforma, por exemplo, vai pagar R$ 25 em um x-salada. Se entrar em um marketplace, ele já é R$ 35", pontua Lima, destacando que a venda direta permite a manutenção da margem de lucro sem repasse de taxas a terceiros. 

Os dados de mercado, levantados pela Repediu em parceria com o Fogo Alto e apresentados no Panorama do Delivery 2025, corroboram essa visão e demonstram a disparidade entre as frentes de atuação no mercado de alimentação: 

Indicador de Mercado 

Canal Próprio (WhatsApp/CRM) 

Marketplaces de Delivery 

Uso de Descontos e Cupons 

Apenas 13,3% das vendas com descontos agressivos 

60,6% dos pedidos feitos com abatimento de preço 

Volume de Vendas (CRM) 

Representa 63,8% do volume nas operações ativas 

Canal de aquisição e vitrine inicial 

Retenção e Relacionamento 

Propriedade completa dos dados do consumidor 

Dados restritos e dependência contínua 

De acordo com o Panorama do Delivery 2025, o uso de descontos agressivos nos aplicativos de delivery espreme o caixa da operação, reforçando a importância estratégica do canal direto para a sustentabilidade financeira a longo prazo. 

Inteligência Artificial e o toque humano 

O medo da automatização não assusta apenas clientes que se perdem em meio ao atendimento feito por um “robô”, este é também um dos maiores medos dos donos de restaurantes, bares e lanchonetes. Automatizar o WhatsApp e o atendimento ficar extremamente "robotizado" pode aparentar ser a solução para o aumento no volume de atendimentos e, realmente, pode ser, mas deve ser feita com cautela. 

Fernando Nogarini, CEO da Repediu, defende que a tecnologia existe para agilizar o braçal e preservar o encantamento humano. "O objetivo da automação não é substituir o acolhimento, mas sim automatizar tarefas burocráticas, deixando o fator humano livre para resolver problemas reais e encantar o cliente", explica Nogarini. 

Na operação da Peu Company, Lima adota uma estratégia híbrida. Ele menciona que o “robô” faz a recepção inicial, mas a equipe humana intervém imediatamente caso o cliente reporte alguma insatisfação pós-entrega, corrigindo a falha e enviando um produto de reposição rapidamente. 

Nogarini ressalta o papel da IA na retaguarda e observa que IAs conversacionais já operam integradas à base de dados do restaurante. "Se a IA identifica, por exemplo, que diversas notas de uma estrela sobre demora na entrega ficaram sem resposta, ela alerta o gestor. Assim, é possível enviar uma mensagem proativa com pedido de desculpas e um voucher especial, recuperando uma venda que estava perdida", exemplifica Nogarini. 

Como usar o WhatsApp em um canal de fidelização do cliente? 

Para alavancar de vez a gestão de delivery, o WhatsApp precisa ser uma ferramenta ativa de fidelização e recompra. Um dos grandes diferenciais destacados pelos especialistas é que, ao contrário dos marketplaces, onde os dados ficam restritos à plataforma, no canal próprio os dados dos clientes pertencem à própria empresa.  

Essa autonomia garante uma proximidade genuína com o consumidor, permitindo que o restaurante conheça exatamente o histórico de consumo, as preferências e os hábitos de quem compra.  

Fernando Nogarini enfatiza que essa posse de dados é o maior ativo de um estabelecimento, transformando contatos frios em relacionamentos duradouros e permitindo um canal de diálogo direto e sem intermediários.  

O Panorama do Delivery 2025 reforça essa tese ao mostrar que 63,8% dos pedidos em operações que utilizam CRM vêm do canal direto. Sabendo que cerca de 61% dos clientes de delivery costumam pedir uma única vez ao ano, a gestão precisa ser proativa utilizando essa base própria.  

Softwares especializados organizam os contatos em formatos Kanban, segmentando clientes que não compram há 30, 60 ou 90 dias. A partir disso, é possível disparar cupons de desconto rastreáveis e mensagens personalizadas para reativar esses clientes que sumiram. A estratégia também é destacada por Thiago Risan, que reforça que o remarketing é indispensável e que um bom sistema deve oferecer esse tipo de acompanhamento contínuo. 

3 Passos práticos para profissionalizar sua operação já nesta semana 

  1. Organize a vitrine digital: tenha uma conta de WhatsApp Business verificada, com logotipo em alta qualidade, horários configurados e endereço correto. 
  2. Implemente um cardápio digital: contrate uma plataforma que ofereça um link direto, eliminando o uso de PDFs. O cliente deve conseguir escolher os produtos e montar o carrinho sozinho. 
  3. Construa e use sua base de dados ativamente: integre seu WhatsApp ao sistema de gestão, migre seus clientes para o canal próprio e mapeie a recorrência de compras para criar ações personalizadas.

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