Uma das ações mais importantes para realizar a abertura de qualquer bar e restaurante é regularizar a operação através da documentação adequada. Tanto em nível nacional quanto estadual e municipal, é fundamental que o gestor esteja atento aos documentos necessários para operar um restaurante sem riscos de prejuízo, atrasos na inauguração, multas ou até mesmo o fechamento do negócio pelos órgãos regulatórios e prefeituras.
Para ajudar a dar visibilidade para as principais documentações, organizamos nesta publicação um roteiro lógico para gestores se planejarem e providenciarem a documentação antecipadamente.
Documentos necessários para abrir um restaurante
No Brasil, boa parte dos documentos indicados são derivados da Resolução N° 216, de 15 de setembro de 2004, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), que estabelece o Regulamento Técnico de Boas Práticas para Serviços de Alimentação, dentre os quais, bares e restaurantes estão enquadrados.
Porém, apesar de existirem documentos universais, como CNPJ e um Alvará de Funcionamento, cada município apresenta seu próprio conjunto de exigências para abertura de estabelecimentos no setor. Para que o empresário possa iniciar um negócio estando devidamente regulado, é essencial que se verifique nos canais oficiais da prefeitura de sua cidade a relação dos documentos exigidos na região.
Além do CNPJ para restaurante, para operar no país é necessária a emissão de um Registro Empresarial na Junta Comercial do Estado e também um Alvará de Funcionamento, emitido pelas prefeituras para autorizar a operação conforme as leis municipais, bem como o registro próprio na Classificação Nacional das Atividades Econômicas (CNAE) de Alimentação.
E existe também uma série de documentos que garantem a segurança estrutural do seu projeto, bem como as condições da operação em si, certificados e vistoriados pelo Corpo de Bombeiros, Anvisa e também prefeituras. São eles:
- Licença da Vigilância Sanitária;
- Auto de Vistoria de Corpo de Bombeiros (AVCB);
- Certificado de Responsável Técnico;
- Certificado de Limpeza e Desinfecção dos Reservatórios de água e mais.
Todas essas licenças garantem que seu negócio opera sob os padrões de qualidade e segurança definidos, assegurando aos clientes, à prefeitura e também ao seu próprio negócio, um padrão sanitário e estrutural mínimo.
Mesmo para a operação e comercialização de alimentos e bebidas são necessárias autorizações específicas que certificam o estabelecimento a manipular, armazenar e comercializar alimentos.
Qual a ordem para tirar a documentação?
Segundo Adriana Costa Marri, Head de Gestão do Grupo Redentor e atuante há 19 anos no mercado de Alimentação Fora do Lar, todo o processo de registro e documentação pode ser dividido em três grandes frentes: legal-empresarial, funcionamento do imóvel e exigências sanitárias e de segurança.
A fase legal-empresarial funciona como o planejamento para o lançamento do negócio e reúne documentos que formalizam o estabelecimento, habilitando-o para emitir notas fiscais e para prestar as devidas tributações. São eles:
- Registro na Junta Comercial;
- Definição do contrato social;
- Abertura de CNPJ para restaurante;
- Escolha correta do CNAE alimentação;
- Inscrição Municipal;
- Inscrição Estadual (quando aplicável);
- Cadastro na Secretaria da Fazenda;
- Certificado digital;
- Cadastro no eSocial.
A fase seguinte contempla o funcionamento do imóvel, ou seja, sua estrutura e também o projeto do restaurante. É nessa fase que se avalia junto da prefeitura a viabilidade do projeto, zoneamento adequado, o projeto arquitetônico, Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros e outros.
Nessa fase é imprescindível a comunicação com a prefeitura para entender todas as necessidades locais, principalmente se a abertura do negócio envolver construção e reformas. Cada município possui suas regras de uso de solo e as informações sobre disponibilidade do ponto e zoneamento estão disponíveis nas prefeituras locais.
Os documentos-chave dessa fase são:
- Consulta de viabilidade;
- Habite-se;
- Projeto arquitetônico aprovado;
- Alvará de funcionamento;
- Licença do Corpo de Bombeiros (AVCB)
A terceira fase, de exigências sanitárias e de segurança, reúne uma série de autorizações e certificados que atestam o cumprimento das demandas sanitárias mínimas e da segurança da operação, atestando higiene, controle de qualidade, potabilidade da água, entre outros. São eles:
- Alvará Sanitário;
- Manual de Boas Práticas;
- POPs (Procedimentos Operacionais Padronizados);
- Laudo Técnico de Controle de Pragas;
- Controle de potabilidade da água;
- ASO dos funcionários;
- PGR e PCMSO;
- Ficha de EPI.
Aqui também se encontram autorizações específicas para o negócio, bem como o licenciamento para comercialização de bebidas alcoólicas.
Alguns erros comuns e como evitá-los
Ainda segundo Marri, erros simples na documentação podem acarretar grandes consequências para os empresários, desde multas e taxações excessivas, bem como atrasos na abertura ou mesmo fechamento das atividades.
Nas últimas semanas, em Belo Horizonte, viralizou a notícia de que o restaurante selecionado pelo programa do Chef Jacquin, Pesadelo na Cozinha, recebeu uma reforma externa em uma fachada com tombamento arquitetônico sem a devida autorização da prefeitura.
Para Adriana, muitos dos erros comuns envolvem alterações e reformas sem aviso prévio.
“[...] Pessoas que vão construindo coisas dentro do restaurante e não têm liberação, fazendo deck, às vezes quebrando uma parede que não estava no projeto inicial e aí na hora o bombeiro vai embargar a sua obra e você toma uma multa”.
Outro erro comum está na escolha errada do CNAE, correndo o risco de pagar impostos indevidos. Além disso, muitas vezes não se presta tanta atenção para a Lei de Acessibilidade, que define critérios mínimos para a promoção de acesso para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida em qualquer estabelecimento. A lei define que esses ajustes devem estar previstos no ambiente e para evitar quaisquer tipos de problemas à frente, é imprescindível que a acessibilidade seja levada em consideração nos estágios iniciais do projeto.
Erros como esses causam prejuízos no curto e médio prazo, podendo comprometer o caixa da operação logo no início por conta de taxas imprevistas. Mas os erros não se limitam a causar prejuízos, podendo causar processos ao empresário e prejudicar permanentemente a marca do restaurante logo nos seus primeiros dias.
A melhor forma de evitar quaisquer atritos, para Adriana, é “manter uma relação com a prefeitura”, e criar uma rotina de verificação de todos os registros.
- Guia de segurança do trabalho em cozinhas profissionais: riscos e normas
- Gestão profissional é o divisor de águas para a sobrevivência de bares e restaurantes
- Mise en place: entenda o que é, por que importa e como aplicar na cozinha
- Por que indicadores de desempenho para restaurantes são a alavanca para o crescimento da operação?
- Empreender não precisa ser solitário
Quanto tempo leva para registrar meu restaurante?
A resposta para essa pergunta não é exata, já que existe uma série de variáveis, inclusive legais, que alteram os prazos de cada documentação, em cada município.
Porém, a recomendação de Adriana é que esse processo de registro seja feito logo no início do projeto e que o tempo de obtenção de cada um dos documentos esteja contabilizado no calendário de lançamento, com alguma folga. Assim, você evita imprevistos e atrasos na inauguração por problemas de burocracia.
Também é importante destacar que, devido ao volume e também diferentes fontes de cada documentação, o processo de registro é trabalhoso e exige acompanhamento organizado. Por isso, uma prática comum no setor é a contratação de serviços de contabilidade, tão importantes para a operação quanto uma boa equipe de salão, de cozinha e gerência.
Para garantir que seu negócio está nos melhores termos com a lei brasileira, consulte a prefeitura de sua cidade e organize com sua equipe toda a papelada necessária para a abertura de seu negócio.
