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Estudo da Fipe liga adesão ao iFood a maior sobrevida e melhores salários

Débora Gershon, diretora de Políticas Públicas e Economia do iFood, detalha a pesquisa da Fipe durante o iFood Move 2026 | Foto: Divulgação

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Pesquisa da Fipe apresentada no iFood Move revela que restaurantes parceiros da plataforma geram mais empregos e pagam salários maiores que a média do mercado.

Maria Eduarda Collares 2 horas, 39 minutos atrás

De acordo com levantamento inédito realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) junto ao iFood, com dados de mais de 40 mil estabelecimentos, aponta que a entrada do aplicativo de delivery está correlacionada a índices superiores de contratação, ganho salarial real e redução nas taxas de mortalidade de micro e pequenas empresas de alimentação fora do lar. 

Os dados foram estruturados para apresentação oficial durante o iFood Move 2026, evento voltado ao ecossistema de alimentação e varejo.  

O chamado “Efeito iFood” 

O impacto mais nítido mapeado pelos pesquisadores incide sobre a base da pirâmide: os Microempreendedores Individuais (MEIs). No longo prazo, a taxa de risco de falência desses negócios diminui entre 40% e 60% após a entrada no aplicativo, enquanto a geração de postos de trabalho avança até 50%.  

De acordo com a análise, parte relevante dessa curva decorre da formalização e transição de regime tributário, impulsionada pelo aumento do volume transacionado.  

Em estabelecimentos de pequeno porte com até cinco colaboradores, a probabilidade de manutenção das atividades após dois anos registra um acréscimo de 17 a 23 pontos percentuais, acompanhada por uma expansão média de 50% no quadro de funcionários e de 15% nos salários reais pagos aos trabalhadores.  

Quanto a metodologia utilizada pela fundação junto ao iFood, Débora Gershon, diretora de Políticas Públicas e Economia do iFood, comenta sua segurança e práticas para assegurar o que a empresa chama de “Efeito iFood” na trajetória desses estabelecimentos com delivery. 

"A Fipe utiliza uma metodologia consagrada de 'diferença em diferenças' para isolar variáveis externas e identificar com precisão a causalidade. Ela compara estabelecimentos que entraram na plataforma com um grupo de controle de mesmo porte e faturamento que permaneceu fora. Isso nos dá a segurança estatística de afirmar que quem entra no aplicativo contrata mais, paga melhor e sobrevive mais.", afirma Gershon. 

Média setorial e impacto por setor da operação  

No panorama geral que compara estabelecimentos cadastrados e negócios similares fora do aplicativo, a pesquisa identificou uma elevação média de 7% no nível de emprego e de 9% na remuneração real. O ganho salarial, contudo, distribui-se de forma diferente em cada parte da operação de um estabelecimento:  

  • Cozinha: alta de 14% no salário real e crescimento de 9% nas contratações;  

  • Administrativo: aumento salarial de 12%, sem variação expressiva na abertura de vagas;  

  • Salão e atendimento: avanço salarial de 9%, também sem oscilação relevante no quadro de pessoal.  

No recorte temporal de 2023 a 2024, as operações ativas na plataforma apresentaram um ritmo de crescimento 2,3 vezes superior à média nacional do segmento de alimentação fora do lar aferida pelo IBGE.  

O cenário do mercado já é de melhora, segundo índices também de pesquisas da Abrasel. Em agosto, a associação informou que o percentual de bares e restaurantes que registraram lucro chegou a 42% em julho. O resultado é o melhor desde dezembro de 2025, quando o índice alcançou 47%, maior patamar dos últimos dois anos. 

Crédito direcionado e dinâmica de preços  

O estudo da Fipe também mensurou os efeitos das concessões financeiras do iFood Pago, braço bancário da empresa que já concedeu R$ 4,6 bilhões em crédito a estabelecimentos do setor. Os restaurantes que contrataram crédito via aplicativo registraram avanço médio de 9% no volume de pedidos e de 4% no faturamento bruto.  

A discrepância percentual entre volume transacionado e receita sinaliza estabilidade no tíquete médio, indicando que os recursos foram prioritariamente absorvidos para capital de giro e escala operacional, sem repasse direto de reajustes ao consumidor final.  

Segundo os modelos econométricos da fundação, a cadeia associada ao iFood movimentou R$ 167 bilhões em 2025, número que corresponde a 0,70% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e respondeu pela sustentação direta e indireta de 1,18 milhão de postos de trabalho.  

“Quando alguém compra um hambúrguer pelo aplicativo, o dinheiro do prato é apenas o efeito inicial. Ele entra no restaurante, remunera a equipe do salão e da cozinha, ativa toda a cadeia de fornecedores de carne, pão e logística, e chega ao entregador.”, finaliza Gershon. 

O multiplicador econômico do ecossistema indica que cada R$ 1 transacionado na plataforma gera um efeito multiplicador de R$ 1,40 na atividade econômica nacional, enquanto cada 100 empregos diretos ativam outros 63 postos formais ao longo da cadeia de suprimentos e serviços. 

 

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