Os bares paulistanos devem receber um grande aumento de demanda durante os jogos do Brasil na Copa do Mundo de 2026. A projeção é da Zig, que analisou o comportamento real de consumo em estabelecimentos de São Paulo durante a Copa de 2022 e aponta que, desta vez, o impacto tende a ocorrer justamente no horário em que os bares da capital já registram maior movimento.
Segundo o levantamento, a cerveja foi a categoria com maior presença de crescimento nos dias de jogo da seleção brasileira em 2022. As vendas aumentaram em 81% dos bares monitorados. Na sequência aparecem as bebidas prontas para beber, conhecidas como RTDs, com alta em 76% dos estabelecimentos, o gin, com avanço em 71%, e a vodka, em 68%. A comida também registrou crescimento, embora em ritmo menor que as bebidas, com alta em 67% dos bares avaliados.
Os dados integram o estudo “A mesa do boteco paulistano”, produzido pela Zig a partir de 8,6 milhões de visitas a bares que utilizam a tecnologia da empresa na cidade de São Paulo. A análise considerou os dias de jogos da Copa de 2022, com controle por dia da semana e validação estatística por bootstrap. O estudo apresenta a direção do comportamento por estabelecimento, sem consolidar multiplicadores agregados de crescimento.
Segundo dados da Abrasel, por todo o Brasil a expectativa para os jogos são positivas. Conforme o divulgado, "52% dos estabelecimentos pretendem transmitir os jogos da competição. Entre aqueles que vão exibir as partidas, 80% esperam aumento no faturamento em comparação aos dias sem jogos. Dentro desse grupo, a maioria (59%) acredita que o crescimento pode chegar a até 20%".
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Destaques nos bares de SP
Entre os itens de comida, o hambúrguer teve destaque. Em dias comuns, ele aparece como o petisco com menor associação ao consumo de cerveja: apenas 37% das visitas que incluem hambúrguer na comanda terminam também com chope. Nos dias de jogo, no entanto, o comportamento muda. O item cresce em cerca de sete a cada dez bares monitorados, assumindo o papel de lanche para quem chega cedo, acompanha a partida e permanece no bar.
O principal ponto de atenção para os operadores está no horário. Na Copa de 2022, disputada no Catar, os jogos do Brasil ocorreram à tarde e deslocaram o pico de consumo dos bares para as 16h. Em 2026, com o torneio nas Américas, as partidas da seleção estão programadas para o período noturno, coincidindo com a faixa de maior movimento natural dos bares paulistanos, entre 20h e 21h.
“A Copa de 2026 não vai mudar o horário do bar paulistano. Ela vai lotar o horário que já é o mais cheio. Para o dono de bar, isso significa que a preparação não é de rotina, é de capacidade”, afirma David Pires, CIO da Zig.
O comportamento cotidiano dos bares, mapeado ao longo de 365 dias de 2025, reforça a tendência. O consumo de cerveja já se concentra no fim da tarde e no início da noite, período que deve acentuar uma demanda adicional dos jogos. Para os estabelecimentos, o cenário exige atenção a estoque, equipe, operação de cozinha, atendimento e fluxo de salão.

