Se antes a marmita era a opção mais comum entre os trabalhadores de baixa e média renda, com a inflação dos alimentos e bebidas aumentando para 1,33%, segundo dados do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de maio, alta nos preços mexe também com restaurantes e clientes de classe alta.
De acordo com pesquisa da consultoria de alimentação Galunion, 61% dos entrevistados pertencentes a classe A relataram estar levando mais marmitas do que comendo fora. Em comparação, número fica próximo ao de trabalhadores na faixa de 18 a 24 anos.
As regiões com queda de movimento mais visível se concentram em São Paulo e Brasília, onde empresários do mercado de alimentação fora do lar afirmam que, com a alta no preço dos alimentos, o repasse aos clientes foi mínimo, mas perceptível o suficiente para já notarem a diminuição de público que frequentava o salão.
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Para além da inflação, como escapar?
Aplicativos de delivery barateando refeições através dos descontos, guerras como a do Oriente Médio aumentando preços de fertilizantes e combustíveis, além das mudanças climáticas como El Niño dificultando a produção agrícola estão entre as principais pressões para o aumento de uso das marmitas entre a classe A.
Com essas forças externas sobre o bolso do consumidor e do empresário, economizar dinheiro se torna o motivo majoritário pela escolha das marmitas ao invés de comer fora (58%), segundo pesquisa da Galunion.
No lado dos empresários, as manobras para repassar esses aumentos e equilibrar o caixa são os desafios em prol de tentar manter a clientela ativa. Mesmo enfrentando uma alta contínua nas despesas de operação, cerca de 58% dos estabelecimentos do setor de alimentação fora do lar mantiveram seus reajustes de preço alinhados ou inferiores à inflação, de acordo com dados da Abrasel.
Nessa tentativa de reajustes, movimento também abre espaço para empresários do setor investirem no mercado de marmitas e no impulso de descontos e promoções dos aplicativos de delivery nessas localidades.
Dados do iFood reiteram a ascensão das marmitas nos últimos anos, principalmente no delivery. A categoria cresceu 18% em 2024 e, no ano seguinte, a combinação de pedidos de marmitas e culinária brasileira assumiu o primeiro lugar em vendas no aplicativo.

