Junho de 2026 reúne dois eventos de grande apelo popular: as festas de São João e a Copa do Mundo. Esses eventos colocam bares e restaurantes diante de uma janela de oportunidade que não se repete com facilidade. O desafio, porém, não é o mesmo para todos, uma vez que as expectativas de crescimento variam significativamente dependendo da localização do estabelecimento, do perfil do público e da capacidade de integrar os dois eventos na operação.
No Nordeste, a combinação favorece, sobretudo, os polos juninos consolidados. Segundo levantamento da Abrasel, empresários de Pernambuco e da Paraíba projetam aumento entre 20% e 30% no faturamento durante o período.
Em Campina Grande (PB), por exemplo, alguns estabelecimentos chegam a projetar crescimento de até 80% nas vendas, puxados pelo volume de visitantes que a cidade recebe durante o período junino. Segundo dados do G1, a estimativa de mais de 3,5 milhões de visitantes em Campina Grande em 2026 graça às festas de São João da região, indica a escala do evento e o potencial de impacto direto em estabelecimentos de alimentação bem-posicionados.
"O São João já é, por si só, um dos períodos mais importantes do ano para bares e restaurantes em boa parte do Nordeste. Neste ano, a coincidência com a Copa amplia as oportunidades para os estabelecimentos, que conseguem reunir diferentes públicos em torno de experiências que fazem parte da cultura brasileira", afirma José Eduardo Camargo, líder de conteúdo e inteligência da Abrasel.
Já no Maranhão, levantamento da Abrasel-MA aponta que 81% dos estabelecimentos projetam receita superior à registrada no São João de 2025, com a maioria prevendo crescimento de pelo menos 10%. O resultado é puxado, segundo a entidade, pelo peso das manifestações culturais locais como Bumba Meu Boi, Tambor de Crioula e quadrilhas juninas, que atraem visitantes de outros estados.
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Estratégia operacional antes de tudo
Em Caruaru (PE), a antecipação do planejamento foi a principal aposta dos estabelecimentos para capturar a demanda. Segundo a empresária Debbora Freire, do Boteco Paulistano, as contratações começaram em março. "Investimos em telões, TVs e em uma estrutura preparada para que as pessoas possam aproveitar os jogos e a festa junina no mesmo ambiente", conta.
As projeções otimistas convivem com um cenário operacional ainda pressionado. Pesquisa da Abrasel em Pernambuco, realizada entre 18 e 26 de maio, mostra que 36% das empresas operaram com lucro em abril, enquanto 46% ficaram em equilíbrio e 18% registraram prejuízo, quadro que lembra que a sazonalidade positiva de junho não apaga as margens apertadas que boa parte do setor carrega ao longo do ano.
Para aproveitar o pico de junho, portanto, não basta contar apenas com o fluxo de turistas ou com os jogos da seleção, uma vez que é preciso que os estabelecimentos planejem com antecedência, reforcem equipes e adaptem a operação para que os dois eventos tendem a sair em posição mais vantajosa do que aqueles que esperaram o mês chegar para reagir.
"O São João é um dos eventos que melhor traduzem a força do turismo regional no Brasil. As pessoas se deslocam para viver a cultura local, acompanhar os shows, participar das tradições e experimentar a gastronomia típica. Tudo isso gera oportunidades para bares e restaurantes e movimenta a economia das cidades", conclui Camargo.

