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Chegou a hora de vender vinho: os próximos meses podem definir o resultado do seu restaurante

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Diego Bertolini
Diego Bertolini

Especialista em vinhos

1 dia, 5 horas atrás

Existe um período do ano em que o vinho deixa de ser apenas mais uma categoria dentro do restaurante e passa a ocupar um papel protagonista na experiência do consumidor. Estamos entrando exatamente nesse momento.

Julho, agosto e setembro representam um dos períodos mais importantes para a comercialização de vinhos no Brasil. Historicamente, esse segundo quadrimestre concentra aproximadamente 40% de todo o volume vendido no país ao longo do ano. Quando as temperaturas diminuem, as pessoas passam mais tempo reunidas, a gastronomia ganha força e o vinho passa a fazer parte de forma natural das ocasiões de consumo.

Ainda assim, muitos bares e restaurantes atravessam esse período sem uma estratégia clara para a categoria. O vinho continua ocupando poucas páginas da carta, recebendo pouca atenção da equipe e sendo tratado como um produto complementar. E é justamente aí que está o erro.

O mercado brasileiro continua evoluindo. O consumidor está mais aberto ao vinho, mais curioso e mais disposto a experimentar. Hoje, cerca de 68% de todo o vinho consumido no Brasil é tinto, categoria que naturalmente ganha força durante os meses mais frios do ano. Isso significa que existe uma demanda crescente entrando nos restaurantes e procurando exatamente aquilo que muitos estabelecimentos ainda não aprenderam a explorar.

Mais do que vender vinho, o restaurante tem a oportunidade de transformar a bebida em uma ferramenta de aumento de tíquete médio, rentabilidade e fidelização.

Uma das maiores oportunidades está justamente na venda de vinho em taça. Durante muitos anos, o consumo de vinho esteve associado à compra de uma garrafa inteira. Mas o comportamento do consumidor mudou. As pessoas querem experimentar mais, comparar estilos diferentes, harmonizar pratos distintos e consumir de forma mais flexível. A taça elimina barreiras, reduz o risco da compra e facilita a entrada de novos consumidores na categoria.

 
Quem trabalha uma boa seleção de vinhos em taça percebe rapidamente o impacto nas vendas. Não apenas porque aumenta o número de pessoas consumindo vinho, mas porque cria uma experiência mais acessível e convidativa. Muitas vezes, um cliente que não pediria uma garrafa acaba consumindo duas ou três taças ao longo da refeição. Em diversos casos, a margem obtida na venda em taça é superior à da própria garrafa.
 
Mas não basta apenas abrir algumas garrafas e esperar que elas vendam sozinhas. É preciso construir uma estratégia. A carta deve ser simples, clara e orientada para a decisão. O consumidor não quer ler uma ficha técnica complexa. Ele quer entender qual vinho combina com aquele momento. Pequenas descrições, sugestões de harmonização e indicações da casa costumam gerar muito mais resultado do que listas extensas e pouco organizadas.
 
Outro ponto fundamental está no treinamento da equipe. Grande parte da venda de vinho acontece por recomendação. O cliente confia no garçom, no maître ou no atendente. Quando a equipe conhece os rótulos, entende os pratos da casa e consegue sugerir combinações com segurança, a venda acontece de forma natural. Não é necessário transformar a equipe em sommeliers. É necessário apenas dar confiança para que ela participe da experiência do cliente.
 
Existe ainda um aspecto importante que poucos empresários observam. O vinho está diretamente conectado a uma das maiores tendências de consumo da atualidade: a busca por experiência. O consumidor pode encontrar um prato parecido em diferentes estabelecimentos. Pode encontrar uma cerveja semelhante em diversos lugares. Mas a combinação entre ambiente, gastronomia, serviço e vinho cria uma experiência única e muito mais difícil de ser comparada apenas por preço.
 
É por isso que os restaurantes que têm melhor performance com vinho não são necessariamente aqueles que possuem as maiores cartas. São aqueles que conseguem integrar o vinho à experiência do cliente.
 
Os próximos meses representam uma oportunidade rara. O consumidor está mais receptivo, a sazonalidade favorece a categoria e o mercado continua ampliando sua cultura de consumo. A pergunta que fica para os empresários do setor é simples: o seu restaurante está preparado para capturar essa demanda?
 
Porque enquanto alguns estabelecimentos continuarão enxergando o vinho apenas como mais um item da carta, outros utilizarão esse período para aumentar margem, elevar tíquete médio e fortalecer o relacionamento com seus clientes. E, para muitos deles, os resultados dos próximos meses poderão definir boa parte do desempenho de todo o ano.
 
Diego Bertolini
Diego Bertolini

Especialista em vinhos

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