Os conteúdos em vídeos se tornaram um ativo valioso para quem quer ampliar a presença digital nas redes sociais. Seja no Instagram, TikTok, YouTube Shorts, postagens audiovisuais são consumidas amplamente pelo público. Empreendedores do mercado de bares e restaurantes atentos ao comportamento do consumidor vem aproveitando esse momento com produções que falam sobre seu produto, sua casa e sua marca.
Se antes uma foto bem-produzida de um prato resolvia a presença digital de um bar ou restaurante, hoje, por exemplo, ela alcança quem já segue a marca, mas dificilmente pode chegar a quem ainda não conhece. Mas para surtir o efeito desejado, a produção em vídeos deve ser feita com estratégia e alinhada com a história e conceito do negócio.
A verdade da narrativa
Luara Campos é produtora da aveiacriativa, iniciativa de direção audiovisual em parceria com Caio Tofani. Para ela, a falta de narrativa pode ser um dos maiores erros quando o assunto é a produção de conteúdos em vídeo. Campos expõe que a narrativa não pode ser centrada apenas no prato ou no drink, é preciso que o consumidor acesse, em alguma instância, a história por trás do que vai ser consumido.
“O maior erro que vejo em donos de restaurante, em termos de produção de vídeo, é depositar toda a narrativa na beleza do prato, na beleza do que está sendo servido. Você entra em perfis de restaurante e tem lindas fotos de prato, mas você não sabe nada de como é feito aquilo", destaca a produtora.
Campos reforça que, em sua visão, é necessário que uma história autêntica seja contada pelo estabelecimento. Para ela, não existe uma fórmula para um bom vídeo e roteiro, mas ser verdadeiro com sua história é o caminho mais viável para a construção de um bom conteúdo.
"A beleza da narrativa está no que é feito exatamente para esse estabelecimento, para esses pratos, para pessoas envolvidas nesse negócio. Contar a própria história, contar o motivo dessa casa existir, desse prato existir; essa é uma boa fórmula", afirma Campos.
Para avaliar se o vídeo está contando uma boa história, a produtora ainda completa que algumas perguntas podem ser feitas para nortear a percepção e sucesso do conteúdo.
"Minha dica é sempre olhar e falar: eu realmente gosto desse vídeo, ele me representa de verdade? Se sim, segue com ele. O engajamento vai ser consequência da sua verdade impressa ali na comunicação. A gente precisa contar para as pessoas as nossas motivações e, naturalmente, se elas forem verdadeiras, pessoas que acreditam na mesma coisa vão se identificar e vão querer conhecer o lugar que a gente está comunicando", conclui.
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Trends virais valem a pena?
Indo na contramão das narrativas existem as trends, formatos de vídeos virais que circulam nas redes sociais. Tentadoras pelo alto alcance e grandes chances de captarem muitas visualizações, esse modelo pode ser uma armadilha para os negócios.
Campos observa que esse tipo de conteúdo satura rápido e leva junto a identidade de quem o adotou sem critério.
A sua marca se apaga ali no meio de um tanto de gente fazendo a mesma coisaLuara Campos
Para os empreendedores do mercado de alimentação fora do lar, vale o questionamento se o conteúdo viral faz sentido para a identidade do seu negócio.
Como começar a gravar vídeos do seu restaurante ou bar?
Para os empreendedores que acreditam que para produzir vídeo existe investimento pesado, Campos tem uma resposta direta: equipamento é o último problema.
"Você consegue fazer um vídeo excelente com o mínimo de equipamento e ele não parece ser amador, porque ele tem uma narrativa muito bem estruturada, extremamente calculada para aquela função", pontua.
Nessa lógica, Campos expõe que há três elementos inegociáveis:
- Luminosidade: prefira ambientes bem iluminados ou use a luz natural do sol, a melhor opção para quem está começando;
- Enquadramento aberto: mostre o contexto da cena para que o espectador entenda de imediato o que está acontecendo;
- Bom áudio: sem microfone, grave o som no gravador do celular de outra pessoa para garantir uma captação mais limpa.
Antes de pensar em câmera, porém, ela coloca outra prioridade: "Procure pessoas que gostem de escrever bons roteiros, que tenham interesse na sua história, que tenham carinho pelo que é feito ali todos os dias. Bons roteiros valem mais do que qualquer qualidade cinematográfica. Sintetiza sua história em um roteiro e conta ela para o mundo. Os resultados vão vir a partir disso", destaca Campos.
Vídeos atraem clientes para negócios de alimentação
Uma boa ilustração de como conteúdos em vídeo de restaurantes e bares podem auxiliar na criação de uma comunidade e na fidelização de novos públicos é o caso da A Pão de Queijaria, negócio especializado em pão de queijo, em Belo Horizonte.
De acordo com Lucas Parizzi, sócio-fundador e responsável pelo marketing da marca, a virada de chave do perfil nas redes sociais foi quando seu sócio, Paulo Lassi, conhecido pelo público como Paulinho, aceitou contar a história da marca e seus produtos no digital.
"A gente já tinha bastante confiança que ia dar certo, só que o que não imaginávamos é que ia ser tão rápido. Deu muito certo desde o primeiro vídeo, depois foi só crescendo numa velocidade muito rápida”, conta Parizzi.
Para ele, a fórmula para o sucesso dos vídeos da A Pão de Queijaria está na verdade e autenticidade da narrativa de cada vídeo, além de um bom roteiro. A visão do empreendedor reforça o que Campos aponta.
O que a gente sempre procura fazer é casar uma história no roteiro, com início, meio e fim que prenda a atenção.Lucas Parizzi
"Os vídeos, em primeiro lugar, têm que contar uma história da marca. Que sejam histórias verdadeiras. Mas que tenham roteiros estruturados. Que tenham um toque de humor. E que comuniquem bem o nosso branding", completa.
Os resultados foram além do crescimento de seguidores. "A partir do momento que a comunidade cresceu, os vídeos trouxeram essa galera mais pra perto, a gente começou a conhecer melhor os clientes", conta o empreendedor.
O formato também abriu portas para públicos que outros conteúdos não alcançavam: "A comunicação de vídeo te permite contar histórias mais completas, dar mais detalhes. A gente conseguiu tocar em públicos que antes não estava tocando tanto, como por exemplo a Geração Z", pontua.
Parizzi ainda fala sobre o processo criativo e de produção, para ele o passo mais importante não acontece na frente da câmera. "Muita gente acha que é só pegar um celular, ligar a câmera e copiar um roteiro e fazer. O ponto-chave é que a gente precisa se sentar, ter um alinhamento muito profundo da marca, da posição que ela quer ter, a voz que ela quer, para quem ela quer comunicar. Tendo isso muito claro, a gente parte para a escrita", explica.
Nesse contexto, a criação estratégica de vídeos para a redes sociais pode ser um caminho viável para os empreendedores que querem expandir sua comunidade, alcançar novos clientes e usar a presença digital como a vitrine da verdade e autenticidade de suas casas.

