A disputa pelo delivery no Brasil ganhou mais um capítulo. A Keeta, plataforma controlada pela chinesa Meituan, decidiu arcar com multas contratuais de restaurantes que mantêm exclusividade com o iFood. A informação foi confirmada por Danilo Mansano, vice-presidente da empresa no Brasil, em entrevista ao NeoFeed.
Segundo o executivo, a Keeta já paga valores que superam R$ 1 milhão para viabilizar a quebra de contratos de exclusividade de redes de médio porte de até 30 unidades e que hoje operam apenas com o iFood. Para cadeias maiores, a prática já é vedada desde 2023, quando o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) firmou com o iFood um Termo de Compromisso de Cessação (TCC) que proíbe esse tipo de cláusula.
A companhia, que chegou ao Brasil no final de 2025, diz negociar com pelo menos cinco redes por semana, embora nem todas avancem até o pagamento efetivo, e que processos de negociação podem levar até meses.
Para pagamentos das multas, Keeta pré-estabelece condição às restaurantes de não poderem aderir à 99Food, concorrente que também chegou ao país no ano passado, e a demais aplicativos de delivery. Caso negócios de alimentação fora do lar queiram operar nessas outras plataformas, a Keeta cobre apenas metade da multa, dividindo o custo com o estabelecimento.
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Histórico da corrida do delivery
A expansão do delivery controlada pela Meituan, porém, segue limitada. Mais da metade dos restaurantes relevantes em São Paulo, e mais de 55% no Rio de Janeiro, não está disponível na plataforma por contratos de exclusividade preexistentes. Este entrave, segundo a Keeta, só deve ser superado quando o Cade definir regras mais claras sobre abertura de mercado.
Hoje, a empresa opera em 11 cidades, no litoral e na região metropolitana de São Paulo.
O embate entre as companhias também envolve acusações cruzadas. iFood e 99Food apontam práticas anticompetitivas da Keeta, citando o uso intenso de cupons para atrair usuários. Keeta, por sua vez, diz que a 99Food impõe restrições semelhantes, exigindo de redes parceiras o banimento da concorrente. As empresas também disputam um processo movido pelo iFood, que acusa Keeta/Meituan de espionagem corporativa por pagamento a ex-funcionários para obtenção de dados sensíveis. A acusação é negada pela Keeta.
Para o mercado de delivery e alimentação em geral, empresários precisam avaliar, antes de fechar contratos com qualquer aplicativo, e comparar os benefícios de cada um quanto alcance de público, taxas, cupons e suporte operacional, além de medir o impacto na receita e na margem do negócio a médio prazo.

