O Congresso Nacional Abrasel 2026 teve início nesta quarta-feira,17/06, no Centro de Eventos e Convenções em Brasília. A manhã do evento esteve focado em discutir as consequências da economia na rotina de negócios, comportamento do cliente e o impacto das comunidades através de uma comunicação acessível.
O evento reuniu empresários, gestores, líderes do setor e representantes públicos para discutir, influenciar e desenvolver o ambiente de negócios do mercado de alimentação fora do lar em todo o país.
Como a economia vai afetar os preços e consumo?
A primeira palestra do dia reuniu Paulo Solmucci, presidente da Abrasel; Pedro Silveira, do Grupo Alife Nino; Ricardo Bomeny, da BFFC – holding que controla marcas como o Bob's –, e o economista Écio Costa para debater como a economia dos próximos anos deve afetar preços e consumo.
De início, Bomeny comenta diagnostico da economia brasileira, destacando que "o Brasil tem uma das maiores taxas de juros real do mundo", o que tem levado grandes redes de varejo a recuperações judiciais e pressionado o caixa de empresas de todos os portes.
Para o CEO da BFFC, o problema não é o tamanho da dívida, mas o custo dela e empresas que carregam uma alavancagem considerada normal em outros países do mundo hoje destinam “45% da sua geração de caixa só para pagar juros”. Por isso, segundo os palestrantes, a maior dificuldade estará nas formas que será feito o repasse da inflação para o preço e consumidor final.
Como saída, os painelistas apontam a promoção da produtividade e da tecnologia. A exemplo, o uso de inteligência artificial para automatizar tarefas repetitivas, como conciliação bancária de delivery e atendimento ao cliente, pensando em ser uma das principais ferramentas que o setor de bares e restaurantes tem à disposição para absorver os efeitos da inflação e dos juros altos sem comprometer a operação.
Como e por que o cliente te escolhe?
No painel “O seu novo cliente: o que faz hoje as pessoas escolherem onde comer e beber”, Renato Meirelles, representante do Instituto Locomotiva; Beatriz Pentagna, Diretora de Marketing de Negócios do iFood; e Daniel Mota, responsável pela estratégia comercial da Heineken, se uniram para discutir o que leva o consumidor a escolher onde comer e beber nos dias de hoje.
Segundo Meirelles, o cliente atual vive um equilíbrio constante entre tempo e dinheiro: às vezes prioriza a entrega mesmo pagando mais caro, às vezes opta por economizar com pratos executivos ou formatos coletivos quando está com a família. Ao pensar nesse cenário do delivery, Pentagna completa que esse equilíbrio não é sobre preço, mas sobre expectativa cumprida.
É menos sobre preço e mais sobre atender o que ele está esperando naquele momento, naquela ocasião de compraBeatriz Pentagna Outro tema que repercute os movimentos e decisões do consumidor nos dias de hoje são as canetas emagrecedoras. Meirelles, ao apresentar dados do Instituto Locomotiva, relata que cerca de 30% dos lares brasileiros já têm alguém que usa ou usou esse tipo de medicamento, com penetração inclusive maior nas classes A e B.
Segundo ele, o fenômeno já está mudando a composição das compras, com queda nos itens industrializados e alta na demanda por proteínas, saladas e bebidas com menos calorias. Essa tendência também é observada por Mota no segmento de cervejas, que tem visto crescimento acelerado de rótulos zero alcoólicos e sem glúten.
Como um todo, essas tendências e formas de escolher aparece, inclusive nos hábitos da geração Z. Geração com uma força de consumo em ascensão e mais avessa ao endividamento, preocupada com saúde e meio ambiente, e com grande facilidade para trocar de marca, segundo Meirelles. Para os palestrantes, há uma mudança profunda em quem é o cliente e no que ele espera encontrar no balcão, no salão ou na tela do celular.
Como a comunicação e comunidades se relacionam?
Para fechar o bloco da manhã, o Congresso Abrasel trouxe à tona o papel da comunicação como forma de construir vínculos com as próprias comunidades em torno dos negócios de alimentação.
Renê Silva, fundador do jornal Voz das Comunidades, abriu o debate apontando uma lacuna que o setor de delivery e grandes marcas ainda não resolveram:
"muita gente, principalmente as grandes empresas de delivery, acabam olhando muito mais para o lado dos entregadores e não olham para o lado dos empreendedores, não olham para o lado do consumidor."
A discussão refletiu sobre como o saber ser empreendedor também parte de inciativas que capacitem e vejam os impactos de quem já empreende, independentemente do lugar.
Para Wallace Ribeiro, gerente de Impacto e Relações Corporativas da Ambev, essa relação começa com uma comunicação acessível a quem você quer atingir. "Não adiantava a gente trazer a melhor metodologia de Oxford para revolucionar o negócio, se aquilo não estava adaptado e ‘co-construído’ com as pessoas do meio", comenta Ribeiro ao falar do uso do WhatsApp como canal mais eficaz de relacionamento com pequenos bares e restaurantes.
Por fim, Alessandra Ciuffo, gestora Nacional do Programa Plural do Sebrae, reforça que o maior gargalo identificado pela instituição é o acesso a crédito e as desigualdades por traz dele.
Os palestrantes enfatizam como empresários de bares e restaurantes, ao entenderem a linguagem, os canais de comunicação, as necessidades de crédito e a capacitação da sua comunidade, podem encontrar o diferencial entre permanecer informal e fragilizado ou crescer de forma sustentável dentro do próprio território.
Participe do Congresso Abrasel
O evento ocorre durante todo o dia e pode ser acessado através do site “Conexão Abrasel”. Basta fazer sua inscrição e conhecer um pouco mais da programação, que dá palco para os líderes do setor de alimentação fora do lar no Brasil.

