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A onda asiática no setor de alimentação fora do lar

Fast-foods como Mixue e Ai-CHA trazem modelos de alta escala e preços baixos ao Brasil, projetando mais de 200 lojas e acirrando a disputa no setor de alimentação fora do lar. | Foto: Divulgação

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Mais do que sorvete e chá, o investimento chinês traz ao Brasil tecnologias de gestão e operação que elevam a régua da competitividade no setor de alimentação.

Maria Eduarda Collares 34 minutos atrás

O avanço do capital chinês no Brasil, que atingiu o recorde histórico de US$ 6,1 bilhões em investimentos em 2025, segundo o Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), ganhou uma nova vertente mercadológica. Para além dos direcionamentos consolidados em infraestrutura, energia e mineração, empresas dessa potência asiática agora miram no setor de alimentação fora do lar. 

Com a maior rede de fast-foods consolidando sua primeira unidade na Avenida Paulista, a chinesa Mixue Ice Cream & Tea, os modelos de negócios de asiáticos reforçam sua entrada estratégica em terras brasileiras. A onda asiática ocupa o país com empresas de altíssimo volume de produção e margens estreitas, competindo diretamente com redes e estabelecimentos tradicionais de alimentação instaladas nos shoppings, nos centros urbanos ou no delivery. 

Só no ano de 2025, a Mixue registrou uma receita de US$ 4,9 bilhões (R$ 24,5 bilhões) e um lucro de US$ 858,8 milhões (R$ 4,3 bilhões), segundo dados do portal Poder360. 

MixueAi-ChaKeeta, 99 e o que elas têm em comum 

Mixuemaior rede de fast-food do mundo em unidades, com mais de 60 mil estabelecimentos globais, iniciou sua operação no Brasil em abril deste ano já pensando em expansão. A marca projeta a abertura de 60 a 100 unidades no país até o fim de 2026, tal como sua concorrente AI-Cha 

Seguindo o mesmo ritmo, a Ai-Cha, rede de origem indonésia, mas com forte controle operacional chinês, inaugurou sua primeira unidade no bairro da Liberdade, em São Paulo. 

No seu primeiro mês no Brasil, a Ai-CHA comunicou que foram mais de 7 mil clientes atendidos com um faturamento de mais de R$120 mil. Para Matheus Diniz, head de comunicação da AI-CHA Brasil, esse resultado “não apenas valida nosso modelo de negócio, como acelera nossos planos. Se antes tínhamos o Brasil como um mercado ‘estratégico’, hoje o vemos como o nosso principal motor de crescimento nas Américas.”.  

Porém, a presença de empresas chinesas no cotidiano brasileiro antecede a popularização das redes de sobremesas e bebidas. O aplicativo de transporte 99, por exemplo, é controlado pela DiDi, gigante chinesa do setor, que também chegou para operar no mercado de entregas com o 99Food. Já a Meituan, considerada a maior plataforma de delivery do mundo, iniciou suas operações no Brasil em 2025 sob a marca Keeta. 

Suas atuações provocaram uma reestruturação entre demais concorrentes do setor de delivery, uma vez que o ponto em comum entre as diversas empresas asiáticas que pousaram no Brasil está pautada em preços agressivos, escala rápida e alta eficiência operacional. 

Gabriela Guimarães, vice-presidente de Desenvolvimento de Novos Negócios da DHL Supply Chain, ao LogWeb complementa que “as empresas chinesas são verdadeiras máquinas de execução, trabalhando com prazos muito curtos e orçamentos hiper enxutos.” 

A exemplo, no começo do ano, as sorveterias Ai-CHA e Mixue chegaram ao Brasil com um plano de atuação baseado em qualidade e preços acessíveis. O cardápio dos estabelecimentos que inclui casquinhas de sorvetessundaebubble teasmoothies, chás e matchas com sabores asiáticos adaptados ao paladar brasileiro atuam em faixas de preços entre R$3 a R$15. 

A combinação de sorvetes e chás e sua expansão no país acompanham também o crescimento do valor desse nicho. Segundo dados da ABIS (Associação Brasileira das Indústrias e do Setor de Sorvetes), o setor de sorvetes e gelatos já ultrapassa os R$14 bilhões ao ano e cresce acima da média global. 

“O Brasil é a maior economia da América do Sul e possui um público jovem e numeroso, com grande potencial para o consumo de bebidas e sobremesas geladas”, comenta a comunicação da Mixue para o Meio&Mensagem. 

Para Tulio Cariello, diretor de conteúdo e pesquisa do CEBC, além de uma moeda baixa, o Brasil conta com um amplo mercado consumidor, vasta disponibilidade de recursos naturais e uma matriz energética limpa, fatores que despertam o interesse de investidores chineses em diversos setores de atuação e para crescimento na América Latina. "São poucos países no mundo hoje que têm todos esses atrativos", afirma Cariello à Reuters. 

Pensando em América Latina por exemplo, o Brasil ocupa o topo da economia do continente, com um PIB estimado em US$ 2,28 trilhões, de acordo com FMI (Fundo Monetário Internacional) 

Para empresas como a Ai-Cha, o mercado brasileiro é visto como aprendizado para aplicação do sabor asiático no continente e da competividade com outros perfis do mercado. 

“Vemos a competitividade na Liberdade com muito entusiasmo e respeito. O bairro é o ‘termômetro’ da gastronomia asiática no Brasil. Estar cercado de marcas tradicionais e novos players de bubble tea nos obriga a elevar a régua constantemente. Nosso foco não é de ‘roubar’ clientes e monopolizar, mas sim de expandir a categoria”, completa Diniz. 

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